terça-feira, 27 de janeiro de 2004

Meu nome é Eulâmpio Morais, mas, por favor, só me chame de Morais. Nasci em João Pessoa, Paraíba, no Hospital Santa Isabel, em 1970. Como todos já sabem, naquele ano o Brasil foi tri-campeão na copa e um amigo do meu pai, que sempre dizia "Hospital quando tem nome de santo é pra sair correndo, por que tem que pedir pro santo ajudar" - Eu não tenho do que reclamar, estou vivo até hoje, aliás, eu nasci com quase 5 kg, minha mãe poderia ter morrido - levou uma camiseta da seleção, que minha mãe guarda até hoje, mesmo depois de quase ter sido devorada por Thor, um labrador demente que a gente tinha em casa.

Eu também gostaria de explicar a origem do meu nome, é que minha mãe queria me chamar de Roberto (bacana), mas enquanto ela estava lá, toda costurada na maternidade, meu pai se juntou com a minha tia e os dois resolveram homenagear o meu falecido avô, o médico Eulâmpio Morais, sacanagem. Talvez venha daí a vontade que o meu pai tinha de que eu fosse médico.



Eu me formei em Engenharia Civil, sou casado, pai de uma menina de 8 anos e desempregado.

Ela é assim. Me faz sair do lugar e, ao mesmo tempo desistir dos meus planos mais absurdos, idiotas, tolos e desesperados.

Me faz sentir em casa, mesmo fora d'água. Me faz perder a vontade de fugir. Me faz sorrir e chorar. E, às vezes, esquecer tudo o que foi escrito até aqui ..............................................

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...................................................................................... Ah! Me faz sair do lugar e, ao mesmo tempo desistir dos meus planos mais absurdos...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2004

Gênese



Cena 1

Na redação do Clarim da Tarde, o subeditor do jornal fala com aquele gosto de quem quer ferrar alguém.

-Esse seu repórter tá ficando louco!

Joga o exemplar do dia na mesa do editor. Na capa está escrito no título "Ele veio como uma rajada!". E o editor responde:

-Eu confio no trabalho dele, mas vou checar como foi feita a apuração deste caso.



Cena 2

Confuso, o editor vai ao encontro do repórter e desabafa.

-Um vigilante fantasiado!? Tá pensando que tá em Gothan City?

O repórter, calmo, fumando um cigarro, sem olhar para o editor, responde:

-Não. Mas eu preciso falar do que aconteceu, não é?... E foi assim mesmo que tudo aconteceu. Um cara com um colant azul e preto chegou e frustou o assalto, e ainda deixou os caras presos pra polícia levar.

O editor se irrita.

-Eu não acredito. Eu vou ser demitido! E você vai comigo!

Já vou redigir uma nota de desculpas para a edição de amanhã. Já imagino a concorrência nos ridicularizando...

E o repórter sussurra, jogando o cigarro fora:

-Que bosta...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2004

E nunca fui fã de mar

Nem de céu, nem de sol

Nunca fui de sair à noite

De beber até cair

Não gosto de dinheiro

(nem ele de mim)

Gosto de gente

Mas não de toda gente

Gosto da vida

Mas não a vivo como deveria



Eu não nado

Eu salto

Eu me queimo

Eu amanheço

Eu me embriago

Eu gasto

Eu como

Eu peido

Eu cago



Eu vivo

Assim, assim...
A certeza de hoje pode não valer amanhã



É verdade, casamento bom era aquele que durava "até que a morte os separe". Se ainda fosse assim eu taria fodido, eu sei, mas seria por um erro meu, se decidido na hora certa e com a pessoa certa, que mal há?



Sei lá, acho que tô falando besteira. Eu quero chegar a qualquer conclusão, mas por favor, não decida por mim. Eu demoro mas consigo. Sempre.
Parece piegas, mas o amor que me faz querer ir, me faz ficar. As coisas, as pessoas ganharam o mesmo peso, "não decida sua vida pelos filhos, não é justo, nem com você, nem com eles" já me disseram. Mas eu sei fazer isso? Eu fiz até agora. Mas eu sei fazer? É saber fazer ficar sofrendo pelas próprias escolhas? Eu faço ou farei falta? Até que ponto eu sou importante, indispensável?



Eu estou sendo consumido por questões que eu não sei responder. Este ano não começou bem e isso me preocupa. Está valendo a pena? Sim, é o que eu sei agora. Mas saberei amanhã?



Eu não me mexo, não me mudo e não me decido. Sei que se isso não der certo, não vou me arrepender. Fiz o que tinha de ser feito.



Os planos continuam...