quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

O repouso


Depois de sair do labirinto, o explorador resolve descansar um pouco. Ele pára para refletir sobre seus últimos passos e pensar em quais serão os próximos.
O seu primeiro guia o espera, o explorador ouviu de um arauto que ele andou dizendo a todos os outros seguidores que o seu discípulo mais querido o decepcionou, abandonando-o, é a primeira vez que ele fala isso em público. Já havia ouvido isso do próprio guia, anos antes, e o odiou por isso, o odiou por ser mais amado por ele que os outros. Nunca quis esse amor preferencial, via os outros e sentia culpa, por culpa do seu guia. Daquele momento em diante, se tornou um discípulo arredio, tentou desapontá-lo o máximo que pode, para que ele enxergasse os outros, que também queriam o seu amor. "Irresponsável!", pensou. "Com que direito ele pode dizer algo assim, aos outros?".
Esse guia sempre foi um tipo tacanho, mesmo, sem tato. Venceu a fome. Correu o mundo e se tornou grande, tão grande que, quando caiu, não pôde mais se levantar. Mas ainda exerce o seu poder, ou tenta mantê-lo. Um poder patriarcal, manipulador.
O explorador aprendeu tudo com ele. Tem muito dele. Mas não sabe usar contra o seu guia o que aprendeu. Espera descobrir, na hora em que estiver frente a frente com o fantasma - que o atormentou todos esses anos em que esteve longe, correndo o mundo, como o seu guia. Mesmo o rejeitando, seguiu todos os seus passos. Fez caminhos tortos e guarda valores herdados dos quais nunca se livrará. Mas pode policiá-los, porque eles são como vícios que, ao primeiro deslize, podem voltar.
O que mais o deixa triste, é que, no fundo, há ali uma alma perdida, que não consegue conviver com seus próprios fracassos e medos. O explorador identifica isso e tenta ser diferente.
Na sede há, além do guia e dos outros dicípulos, a governanta. Ela salvou o guia, anos atrás, da morte certa. Nessa época, ele era um errante, sem lar, sem guia. Sem dentes, nem garras. Sem nada. Ela o tirou do frio, dando o seu coração quente, sua confiança, em sabe Deus o quê. Mas ela confiou, é verdade. Resolveram construir a sede. O errante se tornou guia, enfim. Passou a ostentar o brilho da vitória nos olhos, como quem ostenta distintivos ou dentes de ouro. Ele era o dono do mundo, ninguém era maior que ele. Ninguém podia mais.
Mas uma queda o deixou no chão. Ele amargou a derrota, furando e cortando as suas entranhas, com precisão cirúrgica. Hoje ele vive no restou da sede, entre ruínas de um passado de glória. Mas ele resiste a ver o que o derrubou: ele foi traído por si mesmo.
A governanta, que nunca o deixou só, chora em silêncio. Tira de si forças que nunca havia experimentado antes, capazes de sustentar a sede em seu seu próprio lombo, se for preciso. Sempre quieta.
É hora de levantar e seguir na jornada...

Foto de Maria Carolina Maia

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

O passado também tem seus anjos


Agora ele está em um labirinto. Entre tantas entradas, tantos caminhos, ele espera encontrar as respostas que o deixarão em paz com o seu passado. Ele vê um menino, que, anos atrás lhe pediu para ser o seu guia. Ele aceitou, mesmo sabendo que ainda não estava pronto e, talvez por isso mesmo, tenha errado tanto. O menino reafirma que ele ainda é o seu guia. Ele já não sorri mais com antes, está fosco, sem brilho, mas ainda deixa escapar uma chama, de seus olhos, e um sorriso trêmulo, de seus lábios. "Eu sei que sou, e me orgulho pela confiança que depositas em mim, ainda", ele está aqui pra se reconciliar com o seu passado, encarar os seus demônios, seus medos. A si mesmo.
"Menino, me ensine o caminho, para que saia logo daqui", ele implora. Eles se dão as mãos e caminham, sossegadamente. Nesse momento, o explorador até a se arrepender de ter pedido para que o menino o tirasse logo dali. A paz que ele experimenta, depois de dias de tempestade, de deserto e de sede, é quase fulminante, em seu peito machucado. "Menino, continue comigo, durante o resto da jornada", "não posso, ainda. O que fizestes para que eu te siga, agora? Além do mais, o Rancor nunca permitiria...". O explorador abaixa a cabeça, sabe que o menino tem razão. Ele sai do labirinto, prometendo voltar, não ao menino, mas a si mesmo.

Foto de Maria Carolina Maia

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Encontrando os seus demônios


O velho guia quer falar com o explorador, mas ele não responde aos seus apelos. "Não agora, meu velho". O explorador acaba de descobrir que está só, e que é assim que deve ser, durante a sua jornada. Ele precisa descobrir de onde vem e o que ele é, mas essa resposta ele só terá quando encarar os seus demônios, em especial um: aquele que foi o seu primeiro guia.
Nenhum perigo, nenhuma missão o atemorizou tanto quanto esse encontro. Ele já percebeu que encarar o seu primeiro guia vai ser o mesmo que encarar a si próprio. A situação ficou insustentável e o explorador não tem mais como voltar. Agora é entrar no túnel escuro do seu passado, tateando as paredes a procurar portas, respostas.
A névoa e o abismo fizeram com que ele perdesse o foco da sua missão, mas ainda resta esse túnel, negro, silencioso. O explorador nunca sentiu tanto medo. Ele não teme os outros, só a si mesmo. Ele sabe que precisa passar por essas provas, para se tornar um guia de verdade. "As crianças estão te esperando, homem!", ele lembra. Essa é parte da sua missão.
Andando pelo corredor, ele encontra velhos e novos companheiros. Alguns o ajudam, outros se mostram indiferentes ou apenas interessados em suas conquistas. Com os que se mostram solidários, ele é franco, honesto. Se mostra inteiro, frágil e pequeno. Fala de suas dificuldades e medos.
Com os outros, não. Ele ainda está aprendendo a jogar, a conhecer os seus "adversários". "Este lugar não admite filhos fracassados", ele sabe. Por isso, para os que querem apenas saber de suas desgraças, ele mente. Aumentou o tamanho dos monstros, a quantidade de medalhas. Rindo de tudo isso, de todo esse falso interesse nele. Só não não aumentou o número de mulheres que teve, "apenas Vênus", diz. Acha graça quando vê a cara de espanto dos seus antigos companheiros, que, na verdade, nunca partilharam da mesma luta que ele.
Vênus diz, no seu ouvido, "tu tens muito deles todos". Ele sabe que ela está certa. "Agora, eu vou ter uma conversa séria com ele". Ele adiou muito essa conversa, agora, que deixou a situação chegar a esse ponto, não vai mais poder voltar atrás. Agora, ele vai ter de fazer o caminho reto. Direto. "O velho guia vai ficar orgulhoso de ti!", ela diz. "Tu já és grande, explorador, não tenhas medo". Mas ele tem. Vai ser uma luta difícil. Ele vai esbravejar e gritar, mas o explorador terá que se manter firme. Tem medo de não ter forças pra isso. Ele o intimida. Nunca pensou que fosse assim. "Tu estás começando a se conhecer, explorador. Não pare nem recue. Tu vais descobrir muita coisa".

Foto de Maria Carolina Maia

domingo, 11 de dezembro de 2005

Voltar quase sempre é partir para um outro lugar


A visão está turva. Uma névoa densa que aumenta e cega, cada vez mais. Sem norte, sem rumo, agora ele só tem as suas palavras e, às vezes, a sua voz. Seria tão mais fácil ter, também, a sua mão perto, para guiá-lo nesse vazio, cheio de incertezas, dúvidas e desejos.
Vagando, dispensando até o velho guia - nem pensa nele, não o quer, agora - pois, quer achar o caminho só - já que está só, nesse momento, sem a única pessoa que poderia tirá-lo desse mar de insegurança e sedução.
Mas, em meio à névoa, ele percebe um ou outro ponto de referência: ele vê um abismo, e é desse abismo que ele tem mais medo, pois sabe que, se jogando ou caindo nele, não poderá voltar. Nunca mais. Mas esse abismo tem algo encantador, que o chama e o seduz para o desconhecido. Ele é um explorador e essa possibilidade o enche de vontade de se jogar, de descobrir o que há ali. Ele adolesce, é verdade, e se enche de vaidade e vigor. Nunca pensou que seria assim. Prefere, hoje, nunca ter voltado, até.
Ele já sabia das surpresas e tinha medo do que ia encontrar de novo, no seu lugar, que sempre foi sua referência e ponto de refúgio, caso sua exploração não desse certo. Mas ela deu certo e ele voltou cheio de vitórias, trazendo o anel, que lhe conferia o direito à sua maior conquista: o amor de Vênus, que ele deixou no local que havia explorado por anos, prometendo a si mesmo que voltaria para buscá-la. E agora vem esse lugar, que ele achava que conhecia tão bem, lhe dando novos desafios. Essa "supresa" ele não esperava, apesar de saber que "voltar quase sempre é partir para um outro lugar", como já lhe disse, no rádio, outro marujo, que também já viveu navegando.
A voz da musa lhe disse que ela já quebrou os seus navios, e que o espera no cais.
O que será dele sem a sua musa? quais as suas chances de sobreviver, se se jogar nesse abismo?

Foto de Maria Carolina Maia

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Gerações

Desde que eu me entendo por gente, eu leio quadrinhos. Tudo começou com o meu pai, que lia quadrinhos de faroeste, aventura, policial, mistério, terror e ficção, publicados pela extinta Editora Vecchio. Ele tinha, em sua invejável coleção, títulos como Tex, Zagor, Martin Mystère, Sobrenatural.

Mas uma infiltração na parede do depósito de casa, onde eram guardadas as caixas de gibi, deu fim a quase todo o acervo do meu pai. Restaram apenas três revistas para, literalmente, contar história: três exemplares de Tex, que eu guardo até hoje.

Eu, na verdade, não era grande fã daqueles quadrinhos - eram centenas de gibis em preto e branco, não muito atraentes -, pois o meu negócio, na época, era Turma da Mônica e algumas coisas da Disney. E foi assim até o dia em que eu ganhei, do meu pai - e só podia ser dele -, o meu primeiro gibi de super-herói.

Sem saber, ele me deu uma edição histórica do Homem-Aranha, em que Peter Parker pede a mão de Mary Jane Watson em casamento. Ele não podia ter escolhido melhor edição e melhor personagem para me trazer, definitivamente, para o mundo das HQs.

Depois de consumir tudo o que eu podia do mercado americano, foi a vez de voltar às produções nacionais: Piratas do Tietê, Geraldão e Chiclete com Banana. Nessa época, eu já começava a iniciar o meu filho mais velho - este que lhes sorri, vestido de Batman, aí do lado -, que era ainda criança e, como toda criança, se deliciava com a Turma da Mônica.

Gradativamente, na família, a leitura de quadrinhos vem aumentando: eu leio mais que o meu pai e menos que o meu filho, proporcionalmente. Um hábito mais do que saudável, ao contrário do que diziam educadores e pais, 50 anos atrás, quando argumentavam que as HQs eram nocivas à formação do caráter do indivíduo, que incitavam ao crime e outras bobagens.

Agora, é hora de abrir estradas. Como qualquer leitor de quadrinhos, eu sei que há um mundo de coisas interessantes - outras nem tanto - a descobrir. O mundo todo lê e faz HQs, para todos os gostos, credos e idades. E eu estou descobrindo esse mundo à medida em que leio algo novo, seja numa feira, num sebo ou por indicação de alguém.

HQ é, também, leitura de adulto. Basta procurar o que mais lhe agrade e acrescente. Tenha uma boa aventura literária.

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Linguagens convergentes

Já não é de hoje que vemos o cinema ser “misturado” com outras mídias, e aqui cito as que mais se destacam: vídeo-clipe, comercial e história em quadrinhos. Essa fusão pode resultar numa nova forma de fazer e pensar cinema, e de fazer e pensar essas outras formas de arte seqüencial. Resta saber qual o novo formato que está por vir.

Assistindo a Sin City, tive a nítida sensação – já alertada por Roger Ebert, do Chicago Sun Times, e por Eloyr Pacheco, do Sobrecarga – de estar assisitindo a uma história em quadrinhos animada. O contrário também já foi visto, pelas mãos do próprio Frank Miller, em Cavaleiro das Trevas, em que o autor misturava a narrativa dos telejornais com uma linguagem, por assim dizer, cinematográfica. Algo revolucionário na época, servindo de referência para muitos outros autores, que o copiaram descaradamente.

Na primeira tentativa - fracassada - de levar Sin City à telona, em 1996, Frank Miller chegou a blasfemar e anunciar que estava desistindo do seu sonho hollywoodiano. Seu argumento, na época, era de que Hollywood “sempre quer muito mais do que está disposta a dar”. Antes disso – e talvez até por isso, também, ele estivesse desgostoso com a grande indústria de Los Angeles -, ele já havia assinado os roteiros dos fracos Robocop 2 e 3.

Quanto às outras áreas, creio que o vídeo-clipe, por ser uma linguagem nova, recente, deve ser a mais sujeita a sofrer mudanças, e não apenas a se multiplicar em novas “frentes”, como é o que, de fato, está ocorrendo com o cinema e a publicidade (vide Cidade de Deus). Nos quadrinhos, isso é ainda mais evidente, pois há espaço para todas as linguagens, que são antecessoras ao “quadrinho cinematográfico”. Isso serve para acalmar os leitores mais puristas.

O cinema ainda se “apropriou” da linguagem de outro gênero de arte: o teatro. Foi assim em Dogville, de Lars Von Trier, em que os atores interagiam com um cenário imaginário, uma vila desenhada em planta baixa, sobre um cenário negro.

De tudo o que vi de adaptações de HQ para o cinema, nos últimos tempos, Homem-Aranha (1 e 2), X-Men (1 e 2) e Batman Begins são os campeões. Excluí Sin City dessa lista por considerar o filme mais que uma adaptação: ele está mais para uma fusão entre a nona e a sétima arte. Hors concour.


Tomara que esse “casamento” gere ainda mais frutos, e que torne-se cada vez mais permeável, possibilitando a livre passagem de roteiristas, desenhistas, diretores e animadores por todos esses meios. E, enfim, que seja eterno enquanto dure.

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Ao Mestre com Carinho

Flávio Colin, morto em 2002, é o que de melhor existe nos quadrinhos nacionais. Conhecer o seu trabalho é sentir que a HQ no Brasil, nas mãos desse gênio, soltou as amarras do modus operandi do quadrinho americano. Defensor dos quadrinhos nacionais, não gostava de “super-heróis”, achava que era “coisa dos gringos”. Por isso, em suas histórias podemos encontrar a mula-sem-cabeça, o saci, o caboclo, a mulata, o samba, a macumba e tudo o mais que possa representar o nosso povo.

Nascido em 22 de junho de 1930, no Rio de Janeiro, Flávio Barbosa Mavignier Colin começou a trabalhar com quadrinhos em 1955, na editora Galimar, em 1956, passou para a RGE - Rio Gráfica e Editora, de Roberto Marinho. Desenhou histórias para a revista didática Enciclopédia e fez ilustrações para a revista X-9. Em 1959, adaptou para os quadrinhos o seriado radiofônico O Anjo, que rendeu-lhe boa popularidade. No começo dos anos 60, desenhou também histórias de terror para a editora Outubro, de Jayme Cortez e do Miguel Penteado, além dos primeiros números da adaptação do seriado de TV O Vigilante Rodoviário, para os quadrinhos.
Numa tentativa de ajudar a criar uma produção nacional forte, participou da CETPA - Cooperativa Editora e de Trabalho de Porto Alegre -, mas o movimento não vingou por não poderem competir com as editoras Abril e Globo. Boicotado pela maioria das editoras, criou para a CETPA, uma série genuinamente brasileira: Sepé Tiarajú, um índio que defendia os pampas brasileiros dos conquistadores espanhóis. Em 1964, criou Vizunga, um caçador que contava suas aventuras, para a Folha de S.Paulo – criação mais que perfeita para um contador de “causos” como Colin. Com o final da série, em 1966, por motivos financeiros, passou a trabalhar com publicidade.

Em 1977, Flávio Colin voltou às HQs pela Editora Grafipar, com histórias eróticas, de aventura, ficção e de suspense, junto com outras feras das HQs nacionais. Desde então, produziu para as revistas Spektro, da Editora Vecchi, Inter, da Editora Internacional, Mestres do Terror e Calafrio, da editora D-Arte, e Mundo do Terror, da editora Press. Também fez álbuns sobre fatos históricos, como A Guerra dos Farrapos, A História de Curitiba, O Continente do Rio Grande, Mulher Diaba no Rastro de Lampião, em parceria com o roteirista Ataíde Braz, e O Boi das Aspas de Ouro, chegando a publicar na Bélgica, na Itália e em Portugal, pela Meribérica.

Ganhador de três HQ Mix, um em 1990 (Grande Mestre dos Quadrinhos), e outros em 1994 (Desenhista Nacional) e 1997, como homenageado. Além de dois prêmios Angelo Agostini, o último, em 2000, pelo seu trabalho em Fawcett. Em seu currículo ainda há um troféu do XII Salão Carioca de Humor, como homenageado, prêmio da Gibiteca de Curitiba, troféu do Salão Internacional de Piracicaba, o “Press 1986”, pelo conjunto da obra e do Museu da Imagem e do Som.

Flávio Colin desenvolveu, durante quase meio século, grafismos perfeitos, com um traço enxuto e pictórico. Contador e ilustrador de histórias como só ele, soube aliar desenho e texto como poucos no mundo. Um gênio da nona arte que merece o nosso respeito e gratidão.

terça-feira, 16 de agosto de 2005

No cabo da minha enxada não conheço "coroné"

Uma música que marcou a minha infância, apesar de não captar sua mensagem na época.
MPB 80 era o nome do disco. Era o resultado do Festival MPB Shell da Rede Globo, em 1980. Músicas como "Agonia" (Mongol), interpretada por Oswaldo Montenegro, "Porto Solidão" (Zeca Bahia/Ginko), com Jessé, "Clareana" (Maurício Maestro/Joyce), com Joyce e "A Massa" (Raimundo Sodré/Jorge Portugal), entre outras. Esse disco era do meu pai, que, depois do surgimento do CD, jogou fora, deu, vendeu e emprestou todos os seus LPs. Uma pena.
Ouvindo Elba Ramalho cantar "A Massa" no seu disco "Paisagem", muita coisa veio na lembrança. Foi meio difícil achar a letra, mas ela tá aqui. Uma letra ainda atual, infelizmente.

A Massa
(Raimundo Sodré - Jorge Portugal)

A dor da gente é dor de menino acanhado
Menino-bezerro pisado no curral do mundo a penar
Que salta aos olhos igual a um gemido calado
A sombra do mal-assombrado é a dor de nem poder chorar

Moinho de homens que nem girimuns amassados
Mansos meninos domados, massa de medos iguais
Amassando a massa a mão que amassa a comida
Esculpe, modela e castiga a massa dos homens normais

Quando eu lembro da massa da mandioca mãe, da massa
When I remember of "massa" of manioc
Nunca mais me fizeram aquela presença, mãe
Da massa que planta a mandioca, mãe
A massa que eu falo é a que passa fome, mãe
A massa que planta a mandioca, mãe
Quand je rappele de la masse du manioc, mére
Quando eu lembro da massa da mandioca

Lelé meu amor lelé no cabo da minha enxada não conheço "coroné"
Eu quero mas não quero (camarão). Minha mulher na função (camarão)
Que está livre de um abraço, mas não está de um beliscão
Torna a repetir meu amor: ai, ai, ai!
É que o guarda civil não quer a roupa no quarador
Meu Deus onde vai parar, parar essa massa
Meu Deus onde vai rolar, rolar essa massa

terça-feira, 9 de agosto de 2005

Encontro com Neil Gaiman

17h00 – estava eu trabalhando (na época, era diretor de arte ilustrador, respectivamente, do iGuinho e da Zuzubalândia, os dois sites infantis do iG), quando recebi a notícia de que ali ao meu lado, na seção do chat do portal, logo mais estaria ninguém mais, ninguém menos que Neil Gaiman. Ele, que acaba de publicar no Brasil, pela Ediouro, o livro Criaturas da Noite, escrito por ele e desenhado por Michael Zulli, estava lançando, na época (maio de 2001), O Livro dos Sonhos, pela Conrad. Pensei comigo, “preciso pegar um exemplar de Sandman para me aproximar dele, ter uma conversa descontraída – e longa, se possível –, registrar o encontro com fotos e, claro, com um autógrafo".

19h00 – corri até a banca mais próxima (àquela hora já não dava mais tempo de ir pra casa buscar minha revista). Frustrante. O jornaleiro nem sabia quem era Neil Gaiman. Mais algumas bancas fechadas, outras que também não tinham nada do escritor, e lá estava eu, no meio da avenida Faria Lima, em São Paulo, pensando no que fazer. “Ridículo”, pensei. Chegar de mãos abanando, me dizendo “fã”, era simplesmente ridículo.

20h00 – de volta ao 4º andar do iG, para o meu computador, fiquei esperando pelo encontro que, provavelmente, seria o primeiro e último com aquele gigante dos quadrinhos. Estava tudo arrumado: máquina fotográfica e um bloquinho, para pegar autógrafo. Pensei no que iria dizer ou perguntar, mas aí lembrei de algo que me deixou nervoso: eu não falo inglês! “Vou pra casa”, disse, mas me avisaram que convidados estrangeiros vêm sempre acompanhados de uma intérprete. Ufa... eu raciocino com muita dificuldade nessas horas.

21h00 – e, uns dez cafezinhos depois, o telefone tocou. Era ele, subindo. Eu tremia mais que vara verde. Minhas mãos, de tão úmidas, marcavam o bloquinho. Ele chegou e eu dei um sorriso amarelo, meio duro, meio trêmulo. Arrisquei um “hi, Neil”, e só. O resto ficou a cargo do intérprete, de quem eu abusei à exaustão, antes de começar o chat. Perguntei coisas do tipo “como foi recebido pelos fãs brasileiros?”, “em que projetos está envolvido no momento?”, “de que trabalho mais gosta?”. As perguntas que todo mundo faz, e para as quais ele já devia ter respostas automáticas, apesar de ter sido o tempo todo muito simpático e atencioso. Ele sabia que ali estava um fã, nervoso e descrente de que estivesse conversando com Neil Gaiman. Enfim, pedi um autógrafo (que você confere aí, ao lado) e tirei fotos.

22h30 – termina o bate-papo. Ele se despede de nós. Eu vou para casa e sigo à risca a recomendação desse que é um dos mestres da nona arte.

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Menina, amanhã de manhã

Menina, você veio e já foi embora. Ficou só a sua mensagem.

Você fez as pessoas se aproximarem num choro em coro, cada um a seu modo, mas um choro em coro.

Eu, que nem tive tempo de te conhecer, também te esperei. Via você começando tudo: comer, sorrir, chorar, andar, falar. Imaginava você. Mas isso nunca vai acontecer.

Mas existe uma maneira de manter você conosco: não desfazer o elo que você criou, ou que começou a formar. Por isso eu digo que você veio.

Menina, sua passagem por aqui não foi em vão. Acredite.

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Mais um HQ Mix

Vai começar mais um HQ Mix, que, este ano, conta com uma ótima sacada, homenageando Edgar Vasques e seu mais célebre personagem: Rango, que denunciava, em plena ditadura militar, a vida miserável de quem vive à margem da sociedade. Um bom momento - se é que existiu algum momento inadequado ao assunto, desde a criação do personagem - para se falar de miséria, corrupção e América Latina.
Segue o release do evento e a lista de premiados.

Press release
17º HQ Mix

Como sempre, o evento premia aqueles que foram considerados por seus pares os melhores do ano anterior. A votação é democrática, espontânea e chegamos, sem dúvida, muito próximo do melhor produzido no Brasil.
É importante ressaltar que esse prêmio existe para laurear o trabalho e esforço de uma legião de profissionais entre cartunistas, ilustradores, roteiristas e editores que, mesmo diante de tantas dificuldades, continuam escrevendo a história das artes gráficas do país.
Por falar em escrever, talvez nunca tenha sido produzido tanto material teórico a respeito de HQ e desenho. Isso é um grande sinal! Mais que isso, o prêmio de pesquisa vai exatamente para um quadrinista (coisa rara!), o Luiz Gê que dedicou alguns anos de sua vida a produzir um material denso e repleto de reflexões.

Como se um segundo muro de Berlim estivesse a cair, a decepção com o último bastião da esquerda no governo despenca em nossas cabeças tijolo a tijolo.
A esperança de que o país poderia, finalmente, navegar por águas calmas e justas se transforma numa dura realidade onde a desigualdade social aumenta, as necessidades se tornam mais inatingíveis, os impostos aumentam e escorrem por um ralo enorme de corrupção e irresponsabilidade.
Sendo esse o cenário, nada mais apropriado que resgatar um personagem que já vivia parte disso nos anos 70: o Rango, de Edgar Vasques. O troféu deste ano é o nosso brasileirinho pré Fome-Zero, magro, inconformado, crítico e vítima como, de certa forma, todos nós somos.

17º HQ Mix
Sesc Pompéia
16 de agosto de 2005
a partir das 20h

Apresentação: Serginho Groisman
Discotecagem: MZK
Show: Los Pirata

RANGO
O personagem Rango começou a ser publicado em 1972 pela Folha da Manhã de Porto Alegre. Em 1975 já era editado em livro pela L&PM Editora. Depois foi publicado em diversos jornais pelo Brasil, Argentina, Mécxico e até França.
Atualmente está no Jornal do Brasil. As tiras contam a vida miserável dos habitantes da periferia da grande cidade, com críticas cáustica aos políticos e sua ineficácia para acabar com a fome, principalmente na América do Sul.

O AUTOR
Edgar Vasques é gaúcho de Porto Alegre onde nasceu em 1949. Além de seu antológico personagem Rango, publicado em plena ditadura militar, desenhou a série "Analista de Bagé"de Luís Fernando Veríssimo para a revista Playboy durante sete anos ( 1983/90). Suas charges e ilustrações invadiram centenas de publicações como O Pasquim, Coojornal, Movimento, Ovelha Negra, Veja, Playboy, Gazeta Esportiva e Folha da Manhã entre outros. Tem 18 livros publicados e diversos prêmios em Salões de Humor.

HQ MIX- A história

Criado pela dupla Jal e Gualberto Costa em 1988, dentro do programa TV MIX ( TV Gazeta/SP), que era apresentado por Serginho Groisman, o Troféu HQ MIX é, hoje, reconhecido internacionalmente como o principal prêmio da América Latina, na área.

O programa TV MIX era uma espécie de TV de vanguarda dos anos 80 de onde surgiram grandes valores que se tornaram referência na comunicação, como: Fernando Meirelles ( Cidade de Deus ), Astrid Fontenelle ( MTV e Bandeirantes ), Gianouskas ( Terça Insana ) e Serginho Groisman ( TV Globo ) entre outros. Jal e Gualberto tinham uma coluna ( duas vezes por semana ) durante dois anos, no programa, para entrevistas, notícias e crítica sobre quadrinhos e humor gráfico. Era um momento especial para o quadrinho brasileiro com Chiclete com Banana de Angelí que vendia 100 mil exemplares, além das revistas do Laerte, Glauco e Luiz Gê. Maurício de Sousa desbancava Disney do primeiro posto em vendas de infantis e Ziraldo voltava com o Pererê nas bancas além de seu Menino Maluquinho. Era o momento em que se fazia necessário um troféu de amplitude como um “Oscar” da categoria. Jal e Gualberto já haviam instituído na AQC – Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas de SP, entidade que presidiram, o dia do quadrinho nacional ( 30/01 – publicação da primeira HQ brasileira por Ângelo Agostini em 1869 ) e por conseqüência a criação do Troféu Ângelo Agostini aos melhores autores nacionais da área. Mas a idéia era ampliar a premiação para todos os lançamentos de editoras e autores independentes no país. Assim surgiu o Troféu HQ MIX que instituía a votação nacional através de uma nova Associação dos Cartunistas Brasileiros- ACB. A representatividade se fazia necessária, naquele momento, pois havia uma articulação dos desenhistas brasileiros para discutir o mercado de trabalho e direitos autorais. O Troféu cresceu em sua dimensão e alcance junto com a nova ACB que hoje tem está se ampliando internacionalmente com a Associação Mercosul do Humor, Associação Luso/Brasileira de Banda Desenhada, Associação Brasil/Cuba de Historietas e FECO- Federação Européia de Cartunistas.

Autores internacionais que ganharam o troféu, receberam em seus países de origem. Alguns estiveram no Brasil para receber o troféu: Neil Gaiman ( Sandman ), Milazzo ( Ken Parker ) e Will Eisner ( Spirit ), foram alguns deles.

A Comissão de Organização do evento é convocada pela Associação dos Cartunistas do Brasil e Memorial do Museu de Artes Gráficas do Brasil, entidades provedoras e donas do troféu. A presidência do evento é rotativa, a cada ano, dentre os membros da Comissão Organizadora. A maior importância do evento é sua capacidade de mostrar a todos a produção de diversos profissionais nos quadrinhos e artes gráficas que fazem a história cultural do país nos últimos anos.

Premiados

1) Desenhista Nacional
Fábio Moon & Gabriel Bá (Dez Pãezinhos - Crítica)

2) Desenhista Estrangeiro
Will Eisner (Avendia Dropsie)

3) Roteirista Nacional
Lourenço Mutarelli (Mundo Pet)

4) Roteirista Estrangeiro
Will Eisner (Avenida Dropsie)

5) Desenhista Revelação
Rafael Sica

6) Chargista
Angeli (Folha de S.Paulo)

7) Caricaturista
Baptistão (O Estado de S.Paulo)

8) Cartunista
Laerte (Folha de S.Paulo)

9) Ilustrador
Samuel Casal

10) Ilustrador de livro infantil
Cárcamo (Vovô Majai e as lebres, SM)

11) Revista Infantil
O Menino Maluquinho (Globo)

12) Publicação de Clássico
Todo Pererê 3 (Salamandra)

13) Publicação de Humor
Preto no Branco, de Allan Sieber (Conrad)

14) Publicação Mix
Mosh! (independente)

15) Publicação de Terror
Dylan Dog (Mythos)

16) Revista de Aventura
Marvel MAX (Panini)

17) Publicação de Tiras
Níquel Náusea - Vá Pentear Macacos, de Fernando Gonsales (Devir)

18) Edição Especial Nacional
10 Pãezinhos: Crítica, de Fábio Moon & Gabriel Bá (Devir)

19) Edição Especial Estrangeira
À Sombra das Torres Ausentes, de Art Spiegelman (Companhia das Letras)

20) Minissérie
1602, de Neil Gaiman e Andy Kubert (Panini)

21) Publicação sobre Quadrinhos
Wizard

22) Publicação Independente
Mosh!, de Fábio Lyra, Vinícius Mitchell e outros artistas

23) Fanzine
Manicomics

24) Prozine (Fanzines de escolas ou cursos)
Putzgrila (Gibiteca Henfil)

25) Projeto Gráfico
À Sombra das Torres Ausentes, de Art Spiegelman (Companhia das Letras)

26) Álbum de Aventura
A Liga Extraordinária Volume II de Alan Moore e Kevin O'Neill

27) Álbum Infantil
Todo Pererê 3, de Ziraldo (Salamandra)

28) Publicação de Charges
OPasquim21

29) Publicação de Cartuns
Quino: Bem, Obrigado. E Você?, Quinoterapia e Quanta Bondade! (Martins Fontes)

30) Livro Teórico
A Guerra dos Gibis, de Gonçalo Junior (Companhia das Letras)

31) Tira Nacional
Piratas do Tietê / Striptiras, de Laerte

32) Projeto Editorial
O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks (Abril)

33) Animação
A Liga dos VJs Paladinos (MTV)

34) Exposição
São Paulo por Paulo Caruso - Um olhar bem-humorado sobre esta cidade

35) Evento
Ilustra Brasil, em São Paulo/SP

36) Salão de Humor
6º FIHQ-PE, Recife

37) Adaptação para outro veículo
Homem-Aranha 2, o filme

38) Site de Quadrinhos
Nona Arte (nonaarte)

39) Site sobre Quadrinhos
Universo HQ (Universo HQ)

40) Blog / Flog de artista gráfico
Fábio Moon e Gabriel Bá (10paezinhos)

41) Site de autor
Galvão (www.VIDABESTA.com)

42) Jornalista Especializado no Segmento
Sidney Gusman (Universo HQ)

43) Editora do Ano
Devir

44) Grande Mestre
Luiz Gê

45) Pesquisa
A escrita plástica, desenho, pensamento e conhecimento de Luiz Gê

46) Homenagem
Paulistano da Glória de Xalberto, Bira Câmara e Sian

47) Grande contribuição
Turma do Sítio no Fome Zero

quinta-feira, 28 de julho de 2005

Prêmio DB Artes Independentes

Participe do 3º Prêmio DB Artes Independentes
Press Release

O estúdio Divisão Brasileira de Artes apresenta a terceira edição da premiação voltada exclusivamente ao mercado independente de quadrinhos brasileiros.

A participação é totalmente gratuita e, além dos prêmios aos homenageados, todos que votarem concorrerão a HQs, revistas independentes e álbuns nacionais.

Regulamento

1- A participação nas categorias, Edições Independentes, Desenhistas Independentes e Roteiristas Independentes está aberta a todos os fanzineiros brasileiros;

1.1- Para concorrer devem ser enviados, no máximo, duas edições diferentes até o dia 24 de setembro de 2005, para o endereço: HQ FESTIVAL 2005 - Rua: "E", número 87, Conj. Bugio - CEP 49090-050 - Aracaju/SE;

1.2- Para cada obra, anexar uma folha com os seguintes dados:

Nome, idade e função do(s) responsável(s); Descrição das técnicas empregadas na produção; Endereço para contato, telefone e e-mail.

1.3- Não há restrição quanto ao assunto, gênero, quantidade de páginas, formato, etc;

1.4- Todas as edições enviadas concorrem nas três categorias acima, sendo que o homenageado em uma automaticamente não concorrerá às outras duas. Serão três homenageados na Edições Independentes e dois na Desenhistas Independentes e na Roteiristas Independentes;

Essas regras visam dar oportunidade ao editor que trabalha com grandes ou pequenas tiragens.

2- A participação nas categorias Álbum Independente, Sites sobre Fanzines, E-zines e Homenagem Especial está aberta a fanzineiros, colecionadores, leitores, editores, etc;

2.1- Para participar basta escolher um homenageado por categoria. Envie seu voto ao endereço acima ou para o e-mail andersondbartes@yahoo.com.br, até o dia 24 de setembro de 2005. Você concorrerá a muitas HQ's, revistas independentes e álbuns nacionais;

- Álbum Independente - Álbum ou livro sobre HQ's publicado de forma independente;

- E-zine - Site de fanzine ou fanzine eletrônico;

- Site sobre fanzines - Voltado à divulgação de fanzines com resenha, matérias, releases;

- Homenagem especial - Autor, grupo ou evento com importante participação no mercado independente através de incentivo, divulgação, edição, projetos, etc.

3- Anúncio e premiação:

3.1- Todos os homenageados terão seus nomes e obras divulgadas em diversas mídias, receberão certificados e serão convidados a participar da revista DB Artes Independentes, com HQs ou textos;

3.2- A divulgação oficial será no evento HQ Festival 2005, que acontece nos dias 15 e 16 de outubro na biblioteca Epiphânio Dória (Aracaju/SE);

3.3- Todas as edições enviadas serão divulgadas no site do evento, que estará no ar, em breve.

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Enquanto isso, na Sala de Justiça...

Coluna que, por motivo de força maior, nunca foi publicada. Mas, outras virão. Aguardem. B-)


ENQUANTO ISSO, NA SALA DE JUSTIÇA…
Osiel Nascimento

BATMAN BEGINS


Apesar de seus 67 anos, o morcegão está mais vigoroso que nunca. Depois de várias tentativas sofríveis de levar Batman para a telona – entre as quais o longa de Tim Burton, Batman, ainda se destaca como a melhor, apesar do baixinho Michael Keaton -, agora é a vez de Batman Begins, com estréia nos cinemas prevista para junho deste ano.
Desta vez, quem veste o manto do Homem-Morcego é Christian Bale (ufa, depois de dois filmes da franquia, tava na hora de tirar George Clooney e seus mamilos nadaver da jogada), que viaja pelo mundo treinando novas técnicas de artes marciais e retorna à sua cidade natal, Gothan City, para se tornar o lendário Cavaleiro das Trevas. Esse filme parece ser mais fiel aos quadrinhos que os anteriores, a começar pelo assasinato dos pais de Bruce, mortos por um marginal qualquer e não pelo Coringa, como quis Burton.
Robin não estará nesta adaptação, mas Batman não ficará sozinho no combate ao crime. Ele contará com a ajuda do Tenente Gordon, vivido por Gary Oldman (sim, aqui ele será tenente, e não comissário), do misterioso Ducard (Liam Neeson) e do seu fiel escudeiro, o mordomo Alfred Pennyworth (Michael Caine), além de ter um par romântico feminino, Rachel Dawes (Katie Holmes). Na ala dos vilões, desfilam Jonathan Crane, o Espantalho (Cillian Murphy) e Ra’s Al Ghul (Ken Watanabe) – finalmente eles vieram!
O filme é assinado por Christopher Nolan (Amnésia), que conta com um gigante cenário, onde será recriada a velha e violenta Gothan, com direito a Asilo Arkham e tudo o mais. O novo Batman terá um uniforme parecido com o do primeiro longa, só que desta vez Bale não precisará, como Keaton, virar o corpo inteiro para olhar em volta. Ele será simples, mas funcional, sem cores extravagantes e sem os já mencionados mamilos de boiola.
Agora é esperar para conferir mais uma adaptação do Cavaleiro das Trevas, mas, antes disso, outras notícias virão neste mesmo local. Aguardem o batsinal!

Osiel Nascimento, paraibano de João Pessoa, é diretor de arte, redator e ilustrador, mas, nas horas vagas, seu passatempo preferido é combater o crime como um verdadeiro herói paladino.

Para elogiar, dar sugestões e/ou dar bronca, escreva para: osielnascimento@yahoo.com.br

terça-feira, 26 de julho de 2005

Curso de Criaçăo e Ediçăo de Histórias em Quadrinhos

A Faculdade Cásper Líbero, por meio da Coordenadoria de Cultura Geral, promove o �Curso de Criaçăo e Ediçăo de Histórias em Quadrinhos�, ministrado pelo Professor Doutor Roberto Elísio dos Santos, jornalista com pós-doutorado na ECA-USP, professor de graduaçăo e mestrado do IMES (Universidade Municipal de Săo Caetano do Sul) e autor de livros, dentre eles �Para Reler os Quadrinhos Disney� e �A História em Quadrinhos no Brasil�. O aluno aprenderá a criar e editar uma publicaçăo de histórias em quadrinhos, além de receber um panorama do mercado e conteúdo editorial na área. É voltado para alunos de graduaçăo, pós-graduaçăo e ao público externo em geral. Lembrando aos interessados que năo é necessário saber desenhar.
Previsto para os dias 13, 20 e 27 de agosto e 03, 17 e 24 de setembro, das 14 às 17h30.
As inscriçőes podem ser feitas através do site da faculdade www.facasper.com.br.
O investimento para esse curso é de R$ 250,00 podendo ser parcelado em duas vezes.
O local será a Avenida Paulista, número 900, na sala 2 do 3º andar da Faculdade Cásper Líbero.


Criação e Edição de Histórias em Quadrinhos

Palestrante
Jornalista, com pós-doutorado na ECA-USP, professor de graduação e de mestrado do IMES (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) e autor dos livros Introdução à Teoria da Comunicação, Cinema: arte e documento, Para reler os quadrinhos Disney, As Teorias da Comunicação: da fala à Internet e A História em Quadrinhos no Brasil: análise, evolução e mercado. Colaborador do site de cultura Omelete, da Editora Abril e da Revista Latinoamericana de Estudios de la Historieta.

Objetivos
Capacitar o aluno a criar e editar uma publicação de Histórias em Quadrinhos. O curso fornece conhecimento sobre a evolução, a linguagem e as características estéticas e narrativas desta forma de comunicação visual impressa. Além disso, as aulas apresentam os quadrinhos dos pontos de vista editorial e mercadológico.

Programa
1º Encontro
HQ: Surgimento e evolução (na Europa, no Brasil e nos Estados Unidos)

2º Encontro
Linguagem e narrativa dos quadrinhos; Leitura analítica de HQs (exercício)

3º Encontro
Edição de Histórias em Quadrinhos – Etapas do processo editorial; os formatos das HQs; o mercado editorial (produção maisntream e independente); o público-leitor; aplicações da História em Quadrinhos (na Educação, na Publicidade, etc)

4º Encontro
O Fanzine e a Hqtrônica (quadrinhos e mídia digital)

5º Encontro
Elaboração de publicação de HQs

6º Encontro
Finalização da publicação de HQs

Datas
13, 20, 27/08 e 03, 17, 24/09
Horário
Das 14 às 17h30
Carga Horária
20 Horas/Aula
Publico Alvo
Alunos de graduação, pós-graduação e público externo em geral
Palestrante
Prof. Dr. Roberto Elísio dos Santos
Valor
R$ 250,00
Vagas
20
Forma de Pagamento
2x de R$ 125,00 (10% de desconto para alunos e funcionários da Cásper Líbero)
Local
Sala 2 - 3º andar
Informações
Centro de Eventos - tel. 3170-5910/3170-5911/3289-4204
Inscrições
Clique aqui

segunda-feira, 25 de julho de 2005

32º Salão Internacional de Humor de Piracicaba


Já estão rolando as inscrições pro 32º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que vão até o dia 15 de agosto. Mais informações, no site do evento www.salaodehumordepiracicaba.com.br.
Bom, tá na hora de eu tomar vergonha na cara. Mãos à obra.

REGULAMENTO

Datas
O 32º Salão Internacional de Humor de Piracicaba será realizado de acordo com a seguinte programação:
Inscrições até 15 de Agosto de 2005.
Abertura em 27 de Agosto de 2005.

Participação
Todos os cartunistas profissionais ou amadores poderão inscrever trabalhos inéditos de humor, e que, esses trabalhos, não tenham sido premiados em outros salões até a data de abertura do evento (27/08/2005). Cada autor poderá inscrever ate dois trabalhos por categoria. Serão aceitos trabalhos desenvolvidos em qualquer técnica, exceto os elaborados por computador.

Categorias
Cartum, charge, tiras e caricatura: tema livre, no formato A3 (297 x 420 mm) sem molduras e montadas sobre papelão. Na categoria Tiras serão aceitas pranchas de uma a quatro paginas, no máximo, com temática humorística.

Definições das categorias
Cartum: piada gráfica com temas universais e atemporais
Charge: representação gráfica de um tema jornalístico da atualidade
Caricatura: deformação gráfica reconhecível de personalidades
Tiras: arte gáfica sequencial com enredo que se fecha em um formato padrão usualmente publicado em colunas de jornal

Premiação
Serão conferidos oito prêmios no total de R$ 25.000,00 assim divididos:
a) Quatro prêmios de 1º lugar, no valor de R$ 4.000,00 cada, divididos entre as categorias;
b) Quatro prêmios de 2º lugar, no valor de R$ 2.250,00 cada, distribuídos entre as categorias;

Prêmio Aquisição Câmara de Vereadores (lei 5.427/04)
Categoria Caricatura: no valor de R$ 2.518,20.

Obs.: O júri de premiação se reserva o direito de não destinar prêmios às categorias que não alcançarem nível suficiente, transferindo para outras categorias ou criando um prêmio especial do Salão. Haverá um júri de seleção e outro de premiação composto por pessoas capacitadas na área. Os prêmios serão aquisitivos para a Prefeitura do Município de Piracicaba.

Caso o júri de premiação constate alguma espécie de fraude ou plagio em um ou mais dos trabalhos inscritos, poderá cancelar o premio conferido. Os trabalhos premiados serão divulgados no site do Salão logo após a inauguração do mesmo e poderão ser contestados até uma semana após a abertura do Salão, com provas cabíveis de qualquer irregularidade cometida sem o conhecimento do júri.

Outros prêmios e menções poderão ser instituídos, a critério da Comissão Organizadora.

Inscrições
Os trabalhos deverão ser enviados para o seguinte endereço postal:
Salão Internacional de Humor de Piracicaba
Secretaria de Ação Cultural
Rua Maurice Allain, 454 – CEP 13.405-123
Piracicaba / SP
Fone: (19) 3403-2620 / 3403-2621 / 3403-2622 / 3403-2623

Até o dia 15 de agosto de 2005 (valendo a data postal).

Os trabalhos serão devolvidos até um ano após o encerramento do evento em 16 de outubro de 2005. Caso o artista queira receber seu trabalho antes deverá retirá-lo em no Salão de Piracicaba.

Além da ficha de inscrição deverá constar no verso de cada trabalho as seguintes informações:

Categoria inscrita, nome completo do autor, nome artístico, endereço completo, telefone, e-mail, número do CPF ou RG e dados bancários. Poderão também enviar, sem obrigatoriedade, currículo resumido e foto para catalogação no banco de dados e pesquisa do Salão.

Ao se inscrever, o autor automaticamente transfere a Cessão dos Direitos Autorais do(s) seu(s) trabalho(s) quando premiados aquisitivamente, em conformidade com a Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1988 (Lei dos direitos Autorais) de forma total, universal e definitiva, em todas as modalidades de utilização e a título gratuito, os direitos de autor, resguardados na Lei 9.610 de Fevereiro de 1988, referente(s) a(s) obra(s) premiada(s) no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que passa a integrar o Patrimônio Público Municipal para todos os fins de direitos, em conformidade com a Lei Municipal nº 2249 de 1976, alterada parcialmente pela Lei Municipal nº 2486 de 1982 e consolidada pela Lei Municipal nº 5194 de 2002.

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Se gritar "pega ladrão", não fica um

Como disse Magnata: se tem uma coisa que melhorou no governo Lula, foi a Polícia Federal.

Paraíba, Quinta, 21 de Julho de 2005 às 07h40
Cícero Lucena presta depoimento e deve ficar detido por 5 dias
Da Redação

A Polícia Federal desencadeou no início da manhã desta quinta-feira, dia 21, a Operação Confraria em quatro estados, inclusive a Paraíba, para cumprir mandados de prisão e busca. Em João Pessoa, o ex-prefeito da cidade, Cícero Lucena, está detido na sede da superintendência da PF.
Segundo informações da Polícia, o ex-prefeito presta depoimento e deve ficar detido por 5 dias. Ex-secretários da administração municipal estariam sendo presos.
As investigações são relativas à desvio de verbas de obras públicas com recursos federais. Em João Pessoa, estão sendo investigadas irregularidades nas obras do canal do Bessa e Orla do Cabo Branco. Segundo a polícia, o prejuízo no desvio das verbas somariam mais de R$ 5 milhões.
As investigações da Polícia Federal com apoio da Controladoria Geral da União e o Ministério Público tiveram início em março deste ano. De acordo com as investigações, desde 1999 ocorria fraudes em obras com repasse do Governo Federal.
A polícia informou ainda que em dez contratos analisados foram constatadas irregularidades. A operação da PF prevê a realização de 27 mandados de busca e apreensão.
A Operação Confraria tem a participação de cerca de 150 policiais federais nos estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará.e Piauí. Os mandados de prisão foram expedidos pelo Tribunal da 5ª Região da Justiça Federal, em Pernambuco. As investigações foram iniciadas pelo Ministério Público Federal a pedido da Controladoria Geral da União.


Cícero Lucena presta depoimento e deve ficar detido por 5 dias

Se gritar "pega ladrão", não fica um

quarta-feira, 20 de julho de 2005

A primeira vez

Era um serviço "por fora" e, àquela hora eu pensei que já não daria mais tempo. O dono da funerária já estava prestes a chegar e a gorda não entrava nem por um decreto no caixão. Desistimos das flores e roupas, qualquer coisa que fizesse mais volume na urna. Foi quando ouvimos um ronco de motor velho chegando à porta da loja, era Maciel com sua Belina para fazer o transporte.
Terminamos de arrumar o caixão e estávamos para sair, mas foi aí que eu vi entrar, pela porta, um jato de fumaça e um cheiro forte de cigarro de cravo. Seus passos eram lentos, mas firmes no assoalho de madeira. A luz da lâmpada refletiu em seus óculos, redondos e de armação dourada, que escondiam pequenos olhos, negros e determinados.
Fudeu...

terça-feira, 19 de julho de 2005

Cotidiano - baseado em fatos reais

Todos os dias, às 7h30, Roberto é acordado por seu cachorro, que, pontual, chega a dispensar o despertador.
Toma café com sua esposa e, em seguida, vai para o trabalho, chegando sempre no mesmo horário, 9h.
Abre o departamento e começa o trabalho.
Ignorando aqueles que chegam atrasados ou simplesmente depois dele, nega-se a dar bom dia.
Reuniões... cafés... telefonemas... cafés... projetos e, enfim, às 20h, sentindo que o dever fora cumprido, volta para casa e relata o dia para a mulher.

---

Parecia um dia como outro qualquer: cachorro lambendo e café com a esposa. Isso até chegar à Marginal Pinheiros, onde foi surpreendido por um caminhão que, colando à traseira do seu carro o fez rodar, atingindo outros carros. Roberto, como tomava muito café, ficou nervoso e quis agredir o motorista do caminhão. Foi impedido por alguns presentes. Já refeito, ligou para o trabalho avisando que se atrasaria e partiu para tomar as devidas providências.

terça-feira, 28 de junho de 2005

Recado

Olha o recado dado por Fábio Moon... eu sei que já me falaram isso várias (inúmeras) vezes, e que todas as vezes eu não consegui me mexer, vencido pela minha inércia. O cálculo é simples: não faça nada e não terá nada. Talvez eu precise daquela "energia de ativação", que dá início a todas as reações e transformações químicas na natureza. O meu medo é de que eu precise de energia demais pra começar - o que leva tempo, se comparar processos como combustão e oxidação.

Eu desenho e não desenho. Eu escrevo e não escrevo. Eu crio e não crio. Eu falo, mas não faço.

Foi-se o tempo em que eu brincava com bonequinhos, onde eu criei todo um universo de seres super poderosos e de pessoas comuns, mas que não passou de brincadeira. Hoje, eu quero tornar aquilo uma coisa séria - claro que nem tudo será aproveitado... rs. Eu quero contar as histórias que me atormentam o juízo. Quero arrancar dos meus cadernos as pessoas que criei, dei vida, mas não dei uma vida para viverem. Quero me redimir com elas.

A energia tá aumentando e eu preciso torná-la maior, antes que pare de novo de crescer.

sexta-feira, 11 de março de 2005

Dave Gibbons

Este é um texto que capturei da internet - não lembro de onde exatamente – que, pelo texto, foi escrito antes de 2003. Nele, Dave Gibbons fala o que todo mundo quer ouvir: como se dá o seu processo de trabalho. Está sem crédito, mas, caso alguém saiba de quem é o texto, por favor me informe para que eu possa por os créditos.


"O artista britânico Dave Gibbons, desenhista e roteirista de histórias em quadrinhos famosas, como Superman e Batman, revelou hoje, quinta-feira, os segredos do processo de criação de suas obras.

O artista britânico, que participou de um curso universitário de verão sobre história em quadrinhos, explicou os métodos e as técnicas às quais recorre para criar uma obra, que definiu como "uma história contada com palavras e imagens, embora devesse ser ao contrário já que é melhor mostrar do que contar".

Gibbons aconselhou os presentes a se adaptarem a um método de criação que vai do geral ao específico, com palavras que avancem na narrativa da história, mas que não redundem o que as imagens contam.

"O primeiro passo é escrever um resumo do argumento de nossa história em quadrinhos", recomendou o desenhista, revelando que as melhores histórias são as curtas e as piores aquelas nas quais não pensou em ter de desenhá-las.

Assim, foi destrinchando, passo a passo, o processo de confecção do roteiro, "em parágrafos curtos" -afirmou- e "dividido de acordo com as páginas que a história terá".

Gibbons recomendou uma de suas técnicas como roteirista, que consiste em escrever em cartões tantas frases quanto vinhetas houver na página, que expliquem o que vai acontecer para se ter uma idéia geral.

Depois, o desenho dos personagens, no qual se prende minuciosamente, já que "não pode haver dois personagens iguais fisicamente na história e que pareçam que não envelhecem se assim pede o argumento".

Para Gibbons, o desenho deve constar de quatro fases, que mostrou aos presentes: a forma dos personagens em traços gerais; um modelado, muito mais preciso a lápis; à tinta e, por último, colorido.

"Um dos segredos na aplicação da tinta é a prática", afirmou Gibbons, que não despreza o computador como ferramenta de trabalho e criação, em parte, confessou, porque "desde pequeno meu brinquedo favorito era um jogo de encaixe".

O britânico explicou que as novas tecnologias e softwares de desenho permitiram reproduzir sua própria letra, as mesmas que preenchem os balões de texto de suas histórias em quadrinhos.

Agora, Gibbons prefere mais escrever a desenhar, embora se divirta mais, garantiu, rabiscando seus próprios desenhos "porque, ao escrever como são esses personagens, já os tenho na cabeça".

Entre seus projetos, anunciou uma novela gráfica chamada "The originals", que será editada em 2003, e aproveitou para mostrar ao público uma página do roteiro."