quarta-feira, 20 de julho de 2005

A primeira vez

Era um serviço "por fora" e, àquela hora eu pensei que já não daria mais tempo. O dono da funerária já estava prestes a chegar e a gorda não entrava nem por um decreto no caixão. Desistimos das flores e roupas, qualquer coisa que fizesse mais volume na urna. Foi quando ouvimos um ronco de motor velho chegando à porta da loja, era Maciel com sua Belina para fazer o transporte.
Terminamos de arrumar o caixão e estávamos para sair, mas foi aí que eu vi entrar, pela porta, um jato de fumaça e um cheiro forte de cigarro de cravo. Seus passos eram lentos, mas firmes no assoalho de madeira. A luz da lâmpada refletiu em seus óculos, redondos e de armação dourada, que escondiam pequenos olhos, negros e determinados.
Fudeu...

Nenhum comentário: