terça-feira, 9 de agosto de 2005

Encontro com Neil Gaiman

17h00 – estava eu trabalhando (na época, era diretor de arte ilustrador, respectivamente, do iGuinho e da Zuzubalândia, os dois sites infantis do iG), quando recebi a notícia de que ali ao meu lado, na seção do chat do portal, logo mais estaria ninguém mais, ninguém menos que Neil Gaiman. Ele, que acaba de publicar no Brasil, pela Ediouro, o livro Criaturas da Noite, escrito por ele e desenhado por Michael Zulli, estava lançando, na época (maio de 2001), O Livro dos Sonhos, pela Conrad. Pensei comigo, “preciso pegar um exemplar de Sandman para me aproximar dele, ter uma conversa descontraída – e longa, se possível –, registrar o encontro com fotos e, claro, com um autógrafo".

19h00 – corri até a banca mais próxima (àquela hora já não dava mais tempo de ir pra casa buscar minha revista). Frustrante. O jornaleiro nem sabia quem era Neil Gaiman. Mais algumas bancas fechadas, outras que também não tinham nada do escritor, e lá estava eu, no meio da avenida Faria Lima, em São Paulo, pensando no que fazer. “Ridículo”, pensei. Chegar de mãos abanando, me dizendo “fã”, era simplesmente ridículo.

20h00 – de volta ao 4º andar do iG, para o meu computador, fiquei esperando pelo encontro que, provavelmente, seria o primeiro e último com aquele gigante dos quadrinhos. Estava tudo arrumado: máquina fotográfica e um bloquinho, para pegar autógrafo. Pensei no que iria dizer ou perguntar, mas aí lembrei de algo que me deixou nervoso: eu não falo inglês! “Vou pra casa”, disse, mas me avisaram que convidados estrangeiros vêm sempre acompanhados de uma intérprete. Ufa... eu raciocino com muita dificuldade nessas horas.

21h00 – e, uns dez cafezinhos depois, o telefone tocou. Era ele, subindo. Eu tremia mais que vara verde. Minhas mãos, de tão úmidas, marcavam o bloquinho. Ele chegou e eu dei um sorriso amarelo, meio duro, meio trêmulo. Arrisquei um “hi, Neil”, e só. O resto ficou a cargo do intérprete, de quem eu abusei à exaustão, antes de começar o chat. Perguntei coisas do tipo “como foi recebido pelos fãs brasileiros?”, “em que projetos está envolvido no momento?”, “de que trabalho mais gosta?”. As perguntas que todo mundo faz, e para as quais ele já devia ter respostas automáticas, apesar de ter sido o tempo todo muito simpático e atencioso. Ele sabia que ali estava um fã, nervoso e descrente de que estivesse conversando com Neil Gaiman. Enfim, pedi um autógrafo (que você confere aí, ao lado) e tirei fotos.

22h30 – termina o bate-papo. Ele se despede de nós. Eu vou para casa e sigo à risca a recomendação desse que é um dos mestres da nona arte.

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