terça-feira, 1 de novembro de 2005

Ao Mestre com Carinho

Flávio Colin, morto em 2002, é o que de melhor existe nos quadrinhos nacionais. Conhecer o seu trabalho é sentir que a HQ no Brasil, nas mãos desse gênio, soltou as amarras do modus operandi do quadrinho americano. Defensor dos quadrinhos nacionais, não gostava de “super-heróis”, achava que era “coisa dos gringos”. Por isso, em suas histórias podemos encontrar a mula-sem-cabeça, o saci, o caboclo, a mulata, o samba, a macumba e tudo o mais que possa representar o nosso povo.

Nascido em 22 de junho de 1930, no Rio de Janeiro, Flávio Barbosa Mavignier Colin começou a trabalhar com quadrinhos em 1955, na editora Galimar, em 1956, passou para a RGE - Rio Gráfica e Editora, de Roberto Marinho. Desenhou histórias para a revista didática Enciclopédia e fez ilustrações para a revista X-9. Em 1959, adaptou para os quadrinhos o seriado radiofônico O Anjo, que rendeu-lhe boa popularidade. No começo dos anos 60, desenhou também histórias de terror para a editora Outubro, de Jayme Cortez e do Miguel Penteado, além dos primeiros números da adaptação do seriado de TV O Vigilante Rodoviário, para os quadrinhos.
Numa tentativa de ajudar a criar uma produção nacional forte, participou da CETPA - Cooperativa Editora e de Trabalho de Porto Alegre -, mas o movimento não vingou por não poderem competir com as editoras Abril e Globo. Boicotado pela maioria das editoras, criou para a CETPA, uma série genuinamente brasileira: Sepé Tiarajú, um índio que defendia os pampas brasileiros dos conquistadores espanhóis. Em 1964, criou Vizunga, um caçador que contava suas aventuras, para a Folha de S.Paulo – criação mais que perfeita para um contador de “causos” como Colin. Com o final da série, em 1966, por motivos financeiros, passou a trabalhar com publicidade.

Em 1977, Flávio Colin voltou às HQs pela Editora Grafipar, com histórias eróticas, de aventura, ficção e de suspense, junto com outras feras das HQs nacionais. Desde então, produziu para as revistas Spektro, da Editora Vecchi, Inter, da Editora Internacional, Mestres do Terror e Calafrio, da editora D-Arte, e Mundo do Terror, da editora Press. Também fez álbuns sobre fatos históricos, como A Guerra dos Farrapos, A História de Curitiba, O Continente do Rio Grande, Mulher Diaba no Rastro de Lampião, em parceria com o roteirista Ataíde Braz, e O Boi das Aspas de Ouro, chegando a publicar na Bélgica, na Itália e em Portugal, pela Meribérica.

Ganhador de três HQ Mix, um em 1990 (Grande Mestre dos Quadrinhos), e outros em 1994 (Desenhista Nacional) e 1997, como homenageado. Além de dois prêmios Angelo Agostini, o último, em 2000, pelo seu trabalho em Fawcett. Em seu currículo ainda há um troféu do XII Salão Carioca de Humor, como homenageado, prêmio da Gibiteca de Curitiba, troféu do Salão Internacional de Piracicaba, o “Press 1986”, pelo conjunto da obra e do Museu da Imagem e do Som.

Flávio Colin desenvolveu, durante quase meio século, grafismos perfeitos, com um traço enxuto e pictórico. Contador e ilustrador de histórias como só ele, soube aliar desenho e texto como poucos no mundo. Um gênio da nona arte que merece o nosso respeito e gratidão.

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