sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Gerações

Desde que eu me entendo por gente, eu leio quadrinhos. Tudo começou com o meu pai, que lia quadrinhos de faroeste, aventura, policial, mistério, terror e ficção, publicados pela extinta Editora Vecchio. Ele tinha, em sua invejável coleção, títulos como Tex, Zagor, Martin Mystère, Sobrenatural.

Mas uma infiltração na parede do depósito de casa, onde eram guardadas as caixas de gibi, deu fim a quase todo o acervo do meu pai. Restaram apenas três revistas para, literalmente, contar história: três exemplares de Tex, que eu guardo até hoje.

Eu, na verdade, não era grande fã daqueles quadrinhos - eram centenas de gibis em preto e branco, não muito atraentes -, pois o meu negócio, na época, era Turma da Mônica e algumas coisas da Disney. E foi assim até o dia em que eu ganhei, do meu pai - e só podia ser dele -, o meu primeiro gibi de super-herói.

Sem saber, ele me deu uma edição histórica do Homem-Aranha, em que Peter Parker pede a mão de Mary Jane Watson em casamento. Ele não podia ter escolhido melhor edição e melhor personagem para me trazer, definitivamente, para o mundo das HQs.

Depois de consumir tudo o que eu podia do mercado americano, foi a vez de voltar às produções nacionais: Piratas do Tietê, Geraldão e Chiclete com Banana. Nessa época, eu já começava a iniciar o meu filho mais velho - este que lhes sorri, vestido de Batman, aí do lado -, que era ainda criança e, como toda criança, se deliciava com a Turma da Mônica.

Gradativamente, na família, a leitura de quadrinhos vem aumentando: eu leio mais que o meu pai e menos que o meu filho, proporcionalmente. Um hábito mais do que saudável, ao contrário do que diziam educadores e pais, 50 anos atrás, quando argumentavam que as HQs eram nocivas à formação do caráter do indivíduo, que incitavam ao crime e outras bobagens.

Agora, é hora de abrir estradas. Como qualquer leitor de quadrinhos, eu sei que há um mundo de coisas interessantes - outras nem tanto - a descobrir. O mundo todo lê e faz HQs, para todos os gostos, credos e idades. E eu estou descobrindo esse mundo à medida em que leio algo novo, seja numa feira, num sebo ou por indicação de alguém.

HQ é, também, leitura de adulto. Basta procurar o que mais lhe agrade e acrescente. Tenha uma boa aventura literária.

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