quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Linguagens convergentes

Já não é de hoje que vemos o cinema ser “misturado” com outras mídias, e aqui cito as que mais se destacam: vídeo-clipe, comercial e história em quadrinhos. Essa fusão pode resultar numa nova forma de fazer e pensar cinema, e de fazer e pensar essas outras formas de arte seqüencial. Resta saber qual o novo formato que está por vir.

Assistindo a Sin City, tive a nítida sensação – já alertada por Roger Ebert, do Chicago Sun Times, e por Eloyr Pacheco, do Sobrecarga – de estar assisitindo a uma história em quadrinhos animada. O contrário também já foi visto, pelas mãos do próprio Frank Miller, em Cavaleiro das Trevas, em que o autor misturava a narrativa dos telejornais com uma linguagem, por assim dizer, cinematográfica. Algo revolucionário na época, servindo de referência para muitos outros autores, que o copiaram descaradamente.

Na primeira tentativa - fracassada - de levar Sin City à telona, em 1996, Frank Miller chegou a blasfemar e anunciar que estava desistindo do seu sonho hollywoodiano. Seu argumento, na época, era de que Hollywood “sempre quer muito mais do que está disposta a dar”. Antes disso – e talvez até por isso, também, ele estivesse desgostoso com a grande indústria de Los Angeles -, ele já havia assinado os roteiros dos fracos Robocop 2 e 3.

Quanto às outras áreas, creio que o vídeo-clipe, por ser uma linguagem nova, recente, deve ser a mais sujeita a sofrer mudanças, e não apenas a se multiplicar em novas “frentes”, como é o que, de fato, está ocorrendo com o cinema e a publicidade (vide Cidade de Deus). Nos quadrinhos, isso é ainda mais evidente, pois há espaço para todas as linguagens, que são antecessoras ao “quadrinho cinematográfico”. Isso serve para acalmar os leitores mais puristas.

O cinema ainda se “apropriou” da linguagem de outro gênero de arte: o teatro. Foi assim em Dogville, de Lars Von Trier, em que os atores interagiam com um cenário imaginário, uma vila desenhada em planta baixa, sobre um cenário negro.

De tudo o que vi de adaptações de HQ para o cinema, nos últimos tempos, Homem-Aranha (1 e 2), X-Men (1 e 2) e Batman Begins são os campeões. Excluí Sin City dessa lista por considerar o filme mais que uma adaptação: ele está mais para uma fusão entre a nona e a sétima arte. Hors concour.


Tomara que esse “casamento” gere ainda mais frutos, e que torne-se cada vez mais permeável, possibilitando a livre passagem de roteiristas, desenhistas, diretores e animadores por todos esses meios. E, enfim, que seja eterno enquanto dure.

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