segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Encontrando os seus demônios


O velho guia quer falar com o explorador, mas ele não responde aos seus apelos. "Não agora, meu velho". O explorador acaba de descobrir que está só, e que é assim que deve ser, durante a sua jornada. Ele precisa descobrir de onde vem e o que ele é, mas essa resposta ele só terá quando encarar os seus demônios, em especial um: aquele que foi o seu primeiro guia.
Nenhum perigo, nenhuma missão o atemorizou tanto quanto esse encontro. Ele já percebeu que encarar o seu primeiro guia vai ser o mesmo que encarar a si próprio. A situação ficou insustentável e o explorador não tem mais como voltar. Agora é entrar no túnel escuro do seu passado, tateando as paredes a procurar portas, respostas.
A névoa e o abismo fizeram com que ele perdesse o foco da sua missão, mas ainda resta esse túnel, negro, silencioso. O explorador nunca sentiu tanto medo. Ele não teme os outros, só a si mesmo. Ele sabe que precisa passar por essas provas, para se tornar um guia de verdade. "As crianças estão te esperando, homem!", ele lembra. Essa é parte da sua missão.
Andando pelo corredor, ele encontra velhos e novos companheiros. Alguns o ajudam, outros se mostram indiferentes ou apenas interessados em suas conquistas. Com os que se mostram solidários, ele é franco, honesto. Se mostra inteiro, frágil e pequeno. Fala de suas dificuldades e medos.
Com os outros, não. Ele ainda está aprendendo a jogar, a conhecer os seus "adversários". "Este lugar não admite filhos fracassados", ele sabe. Por isso, para os que querem apenas saber de suas desgraças, ele mente. Aumentou o tamanho dos monstros, a quantidade de medalhas. Rindo de tudo isso, de todo esse falso interesse nele. Só não não aumentou o número de mulheres que teve, "apenas Vênus", diz. Acha graça quando vê a cara de espanto dos seus antigos companheiros, que, na verdade, nunca partilharam da mesma luta que ele.
Vênus diz, no seu ouvido, "tu tens muito deles todos". Ele sabe que ela está certa. "Agora, eu vou ter uma conversa séria com ele". Ele adiou muito essa conversa, agora, que deixou a situação chegar a esse ponto, não vai mais poder voltar atrás. Agora, ele vai ter de fazer o caminho reto. Direto. "O velho guia vai ficar orgulhoso de ti!", ela diz. "Tu já és grande, explorador, não tenhas medo". Mas ele tem. Vai ser uma luta difícil. Ele vai esbravejar e gritar, mas o explorador terá que se manter firme. Tem medo de não ter forças pra isso. Ele o intimida. Nunca pensou que fosse assim. "Tu estás começando a se conhecer, explorador. Não pare nem recue. Tu vais descobrir muita coisa".

Foto de Maria Carolina Maia

5 comentários:

carol disse...

adorei a brincadeira que tem no trecho "procurar portas, respostas".

muito bom o texto. meio jornalístico. até.

tomara que o explorador se encontre. :)

carol disse...

ops, quis dizer "meio jornalístico, até". rs...

Osi disse...

Que bom que você gostou, minha flor. Eu tou voltando a me exercitar. B-)

Ivna disse...

Osi, é engano meu ou esse texto é continuação do outro??? Se for, dá pra reunir e fazer um livro ou a idéia é essa mesmo??? Assim como o outro tá do caralho...
Faz uma saga aí do explorador!!!
Bjocas
Ciao ciao!!!

Osi disse...

É isso mesmo: uma continuação.
A idéia é só jogar as coisas aqui, mesmo. heheheh
Valeu.
Xero.