terça-feira, 13 de dezembro de 2005

O passado também tem seus anjos


Agora ele está em um labirinto. Entre tantas entradas, tantos caminhos, ele espera encontrar as respostas que o deixarão em paz com o seu passado. Ele vê um menino, que, anos atrás lhe pediu para ser o seu guia. Ele aceitou, mesmo sabendo que ainda não estava pronto e, talvez por isso mesmo, tenha errado tanto. O menino reafirma que ele ainda é o seu guia. Ele já não sorri mais com antes, está fosco, sem brilho, mas ainda deixa escapar uma chama, de seus olhos, e um sorriso trêmulo, de seus lábios. "Eu sei que sou, e me orgulho pela confiança que depositas em mim, ainda", ele está aqui pra se reconciliar com o seu passado, encarar os seus demônios, seus medos. A si mesmo.
"Menino, me ensine o caminho, para que saia logo daqui", ele implora. Eles se dão as mãos e caminham, sossegadamente. Nesse momento, o explorador até a se arrepender de ter pedido para que o menino o tirasse logo dali. A paz que ele experimenta, depois de dias de tempestade, de deserto e de sede, é quase fulminante, em seu peito machucado. "Menino, continue comigo, durante o resto da jornada", "não posso, ainda. O que fizestes para que eu te siga, agora? Além do mais, o Rancor nunca permitiria...". O explorador abaixa a cabeça, sabe que o menino tem razão. Ele sai do labirinto, prometendo voltar, não ao menino, mas a si mesmo.

Foto de Maria Carolina Maia

3 comentários:

carol disse...

nossa, que saga! e que sagacidade, meu amor. esse é o melhor dos três textos escritos até aqui. mas acho que tem uma incorreção nele: eu entendo o medo do explorador, mas acho que é exagerado. esse menino é fosco por fora, mas ainda brilha muito por dentro. beijinho.

Osi disse...

Brilha, mesmo... acho que esse menino vai ajudar muito o explorador, ainda. A história ainda tá sendo construída, nem eu sei onde isso vai dar.

Julliana Veloso disse...

Me deu um nó, essa é que a verdade. Mas sempre há tempo de reaver o passado e exorcizar os demônios. Se dispor a tentar já é um grande passo!