domingo, 6 de abril de 2008

O Olhar Observador

“A Dança”, de Henri Matisse (detalhe)

Observar, assim como educar, é uma arte, no sentido de que requer treinamento e embasamento, por parte de quem observa ou de quem ensina. É a partir da observação realizada pelo estagiário que se cria a lente do futuro educador.

O olhar do estagiário e futuro arte-educador deve ser o mesmo do artista: uma visão apurada que implica um trabalho denso, cheio de significados. É um período de construção de maneiras de enxergar, competência importante no exercício de educar.

Ver, contemplar, encontrar respostas, abrir-se para o que está sendo exposto. É da conjugação desses verbos que se compõe o ato de observar. Mas a análise observacional deve ser criteriosa, selecionando e aprofundando pontos cruciais à construção de uma aula de arte, e é assim que a lente do futuro professor começa a ser regulada.

O observador precisa também cuidar da parte "menos poética" dessa fase em que deve ter sempre os olhos abertos. Embora menos poética, não é menos importante quanto a contemplação: dar relatório ao orientador ou supervisor de todo o caminho trilhado. Esse exercício é fundamental para que em determinado momento fique introjetado no estagiário o caráter investigador do profissional de educação.

Nesse período de reflexão, as experiências se formam na vida do estagiário observador, criando, dessa maneira, um terreno fértil para o futuro arte-educador. São ensaios importantes para o exercício de ensinar a arte. Ver o que se faz em uma sala de aula – o uso dos materiais, convencionais ou não; as dificuldades de determinados alunos; e também as dificuldades de implantar determinadas propostas pedagógicas, na escola ou em sala de aula – de forma empírica e incorporar isso ao repertório teórico, adquirido na faculdade ao longo do curso.

A observação, a pesquisa, o critério e a selação, enfim, toda essa gama de informações e comportamentos casa perfeitamente com a missão do arte-educador: absorver e repassar conhecimento, em um trabalho e esforço contínuos.

Sendo assim, a partir dos textos indicados, podemos chegar à conclusão de que, ao entrar em uma sala de aula como estagiário observador, o futuro professor deve ter o olhar determinado e focado em questões específicas – sem esquecer o todo, claro – que trarão, passo a passo, as respostas necessárias para o cotidiano do ensino da arte.

Bibliografia
MATISSE, Henri. É Preciso “Olhar” a Vida Inteira com Olhos de Criança. Publicado em Art et Education. Unesco, 1954.
TATIT, Ana. O Olhar do Observador.
Atividades Habituais em Artes. Cedac.

Um comentário:

Rogério Rodrigues de Almeida disse...

Meu caro Osi...

A sutileza está no simples ato de existir.

Parabéns e continuemos em nossos "agregamentos"
Rogério