terça-feira, 24 de novembro de 2009

Lançamento do "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil"


Lançamento acontecerá amanhã, 25/11, na Livraria Cultura do Market Place.

Haverá também um bate-papo com o autor do livro, Leandro Narloch.

Das 19h às 22h
Livraria Cultura
Market Place
Av. Chucri Zaidan, 902, Vila Cordeiro

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Curso de desenho

Eu estou montando o meu curso de desenho. É um curso com uma estrutura livre –mas há uma metodologia clara, que é fazer com que os alunos aprendam que sabem desenhar.

Como seria isso? Bom, se você escreve a mão, você desenha. Nós desenhamos com uma freqüência muito maior do que imaginamos, e com uma qualidade maior ainda.

A intenção do curso é fazer o aluno entender que todos são capazes de desenhar, e bem.

O curso não tem duração estabelecida. É um curso de relação, de exercício e de intimidade com o desenho, e pra isso cada um tem o seu próprio tempo. Ou seja, venha, e venha a fim de desenhar.

Vamos à parte prática.
Duração: 2 horas semanais.
Quanto: R$ 60,00 mensais.
Início: 5/12, das 10h às 12h (perfeitamente ajustável).




terça-feira, 17 de novembro de 2009

Intervenção em espaços públicos

Ontem a proposta do professor Artur Lescher foi intervir no espaço da faculdade, mas sem chamar atenção.

A idéia era fazer uma intervenção "invisível", mas que, uma vez vista, causasse alguma reação no interlocutor.

Um exemplo dado pelo professor foi a série Inserções em circuitos ideológicos, de Cildo Meireles, em que o artista aplica palavras de ordem ou de reflexão em objetos de grande circulação, como garrafas de refrigerante e cédulas.

A partir da proposta, saímos –eu e o resto da turma– em buscar de um lugar para trabalhar. Foi quando eu percebi que o forro do teto da faculdade tinha uns furos, em dois tamanhos diferentes, onde eu poderia pôr alguns bastões coloridos –contrastando com o branco do gesso.

A princípio, pensei em madeira, mas enquanto acompanhava o Rafael Genda até uma loja de 1.99 – ele que também estava procurando desenvolver a sua idéia– vi um pacote de canudinhos coloridos, aparentemente perfeitos pro que eu precisava.

Voltei à faculdade com o saco de canudos e, pra minha alegria, eles formavam, junto com os furos do forro da faculdade, uma feliz coincidência industrial.

Pra ser intervenção, algumas questões devem ser abordadas como a relação com o lugar e com o espaço. Com o lugar, os canudos se relacionam diretamente, à medida em que são elementos típicos de uma lanchonete, que foi onde eu apliquei o trabalho.



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fotos do lançamento do "Ciranda de Nós"

Dia 7/11, lançamento do romance de estréia de Maria Carolina Maia, minha mulher, com ilustrações e capa minhas, na Livraria da Vila.

Confira as fotos clicando aqui.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Lançamento do "Ciranda de Nós"

Romance de estréia de Maria Carolina Maia, minha mulher, com ilustrações e capa minhas.

Amanhã, sábado, às 15h, na Livraria da Vila, Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lançamento do "Ciranda de Nós"

Romance de estréia de Maria Carolina Maia, minha mulher, com ilustrações e capa minhas.

Dia 7/11, sábado, às 15h, na Livraria da Vila, Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Imagéticas contemporâneas

5 e 12/11, sempre às 14h, acontecerá o mini simpósio que dá seqüência às atividades relacionadas aos grupos de pesquisa arte&meios tecnológicos e visoale, coordenados por Christine Mello e Maria Aparecida Bento, respectivamente, com o objetivo de refletir sobre ações artísticas em tempo real, tendo como principal foco investigativo a atitude experimental da chamada “performance” interativa entre imagem e sonoridade.

Neste evento, será dada ênfase à elaboração de práticas artísticas nestes campos, ressaltando possibilidades da pesquisa e da criação.

Participantes

Christine Mello, autora de Extremidades do vídeo (Senac, 2008), é uma das curadoras do programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais 2008-2009. É professora no Mestrado em Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina, onde dirige o Grupo de Pesquisa arte&meios tecnológicos.

Maria Aparecida Bento, autora de artigos publicados em livros e anais nacionais e internacionais. É coordenadora do curso de Educação Artística e professora no Mestrado em Artes Visuais, da Faculdade Santa Marcelina. Coordena o Grupo de Pesquisa visoale.

Mini Simpósio Imagéticas Cotemporâneas
5 e 12/11, das 14h às 18h
Auditório da Faculdade Santa Marcelina
Rua Dr. Emílio Ribas, 89, Perdizes
Tel.: (0/xx/11) 3824-5808
Inscrições até 5/11, pelo email pos-graduacao@fasm.edu.br
Inscrições gratuitas. Vagas limitadas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Festa Ensaio



Com a banda Paud'água e participação especial de Fabiana Cozza e DJ Tutu.

Dia 17/10, às 22h.
Galpão Cabaré
Rua Baumann, 1.481, Vila Leopoldina

Com o nome na lista, R$ 20,00 (mulher) e R$ 25,00 (homem).
Sem o nome, R$ 35,00 (mulher) e R$ 40,00 (homem).

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Folha Turismo

Está mais gostoso fazer anúncio.

Eles ficaram menos freqüentes, mas mais prazerosos de fazer.

Dá para caprichar mais nos detalhes, resolver melhor a composição, pensar em um título bacana.

Espero que gostem do resultado.

Clique na imagem para ampliar.

Abertura de exposição de Regina Silveira



O Olho e o Lugar - Regina Silveira para Crianças. Concepção de Renata Sant'Anna e Valquiria Prates. Curador convidado, Ricardo Resende.

Abertura: 17/10, das 11h às 14h
De 18/10 a 22/11, terça a domingo, das 9h às 21h

Caixa Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111
Tel.: (0/xx/11) 3321-4400
www.caixa.gov.br/caixacultural

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O retrato psicológico: Lorenzo Lotto e Moretto da Brescia

O retrato psicológico renascentista, ao contrário da acepção contemporânea da palavra “psicológico”, não evidencia o caráter do modelo, apenas dá pistas. Dois nomes pouco destacados nesse tipo de pintura são bons exemplos: Lorenzo Lotto e Moretto da Brescia.

Lotto, um veneziano que migrou para várias cidades, no decorrer da vida, usava de um simbolismo misterioso, que levava o espectador a querer entender melhor as figuras estampadas em seus quadros. Eram objetos, formas e cores que, propositadamente geravam enigmas. Com esse artifício, o artista não só guiava o olhar do apreciador de sua obra, mas seus pensamentos. Objetos como a lamparina de Jovem Diante de um Reposteiro Branco, traziam perguntas e, ao mesmo tempo, davam pistas para a resposta – a qual não se sabe se o artista detinha. Aparentemente, Lorenzo Lotto dividia algo além da pintura com o interlocutor, como um diálogo íntimo. É como se ele estivesse com o antebraço repouso sobre o ombro do espectador a perguntar “o que você acha que isso significa?”.

Moretto da Brescia, em seu Retrato de um Mancebo, além de nos dar pistas sobre o estado mental do retratado, reverencia a melancolia, moda à época, usando como símbolo a pose do tal mancebo, que apóia a cabeça na mão direita. Outro ponto da tela sugere ainda o motivo de tamanha melancolia, uma inscrição na aba do gorro do rapaz que diz “Ai de mim! Desejo demasiado”, do grego. Há mais interpretações sobre a frase, que não vêm ao caso. O importante aqui é perceber os meios encontrados pelos artistas para evidenciar ou sugerir aspectos sentimentais e comportamentais dos modelos de seus quadros.

Sendo assim, o retrato psicológico, como gênero, trouxe mais do que a simples representação fiel da realidade, indo a fundo aos aspectos mais íntimos do homem do século XVI, revirando segredos e expondo pontos de vista, através de uma composição enigmática e cativante.

Bibliografia

SCHNEIDER, Norbert. A arte do retrato – Obras-primas da pintura retratista européia, 142-1670. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

Nasceu e já tá em casa



Eu e a Carol fomos buscar os exemplares dela hoje com o editor.

Perdoem a má qualidade da foto. Eu que não resisti e tirei assim mesmo uma foto do montinho com a precária câmera do meu celular... B-)

Não esqueçam que dia 7/11 tem lançamento na Livraria da Vila da Fradique.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ciranda pronto

O livro Ciranda de Nós, pro qual eu fiz a capa e as ilustrações, tá prontinho. O lançamento já tem data, dia 7/11, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, das 15h às 18h.

Agora eu já posso mostrar como ficou a capa. Clique para ver a imagem ampliada.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sesi Vila Leopoldina exibe "Titan"



O ano é 3028. A Terra sucumbe ao ataque dos Drej, uma raça alienígena altamente avançada que vê os humanos como uma ameaça. Quinze anos mais tarde, Cale, um dos poucos sobreviventes, vive em uma estação de salvamento no espaço, até o dia em que em que descobre ser o único que pode encontrar a Titan, uma nave capaz de recriar a Terra, trazendo nova esperança aos humanos.

A mostra Tela Animada, comemorativa do mês da criança, reúne oito longa-metragens de animação. A proposta é estimular a formação de público infantil para a arte cinematográfica e promover, às crianças e jovens, acesso à cultura e ao entretenimento.

Titan
EUA/2000
Direção: Don Bluth e Gary Goldman
Com: Matt Damon, Drew Barrymore, Bill Pullman e Nathan Lane
Duração: 90 minutos
Classificação: Livre

Sesi Cinema 2009 - Tela Animada
Rua Carlos Weber, 835, Vila Leopoldina
14/10, às 15h30
30 lugares
Entrada franca

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Primeiros personagens



Já começo a apresentar os personagens da história que eu estou desenvolvendo. Como estou na reta final deste projeto, os desenhos devem aparecer com mais freqüência aqui, assim como minhas impressões sobre o processo de feitura desta HQ.

Este é o sr. Alberto Guignard, pai do pintor Alberto da Veiga Guignard.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Concurso "Natal Brasileiro"

A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior – Abmes promove concurso para a criação da mensagem virtual de Natal.

O concurso é destinado a alunos de instituições de ensino superior públicas e privadas brasileiras, e só podem concorrer com apenas uma proposta.

O título do concurso não é à toa, uma das exigências do material é conter imagens brasileiras – o que já exclui a figura de Papai Noel, o bom velhinho.

Os vencedores do concurso receberão certificado e prêmio em dinheiro, sendo 5.000 reais para o primeiro lugar; 2.000 reais para o segundo lugar; e 1.000 reais para o terceiro lugar.

As inscrições deverão ser feitas no site do concurso e vão até às 18h do dia 31/10.

domingo, 27 de setembro de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Arquivo N: Arthur Bispo do Rosário


Vídeo recomendando por Eduardo Pigatto, que está fazendo uma pesquisa em design gráfico sobre Arthur Bispo do Rosário.

terça-feira, 14 de julho de 2009

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Oficinas de vídeo no Sesc

Subjetividade em trânsito
O vídeo como instrumento para a emergência de novas subjetividades, com a cineasta Kika Nicolela.
De 14 a 17/7, das 19h às 22h.

Sophie Calle: tensões entre imagens
A obra da artista em diálogo com as tensões entre as imagens domésticas e aquelas geradas por circuitos de vigilância., com o professor Gabriel Menotti.
De 28 a 31/7, das 19h às 22h.

Grátis
Sesc Avenida Paulista
Av. Paulista, 119 (próximo à Estação Brigadeiro)
Tel.: (0/xx/11) 3179-3700
www.sescsp.org.br

sábado, 11 de julho de 2009

Do fundo do baú

Escrevendo o roteiro de "Guignard", eu lembrei de um antigo gibi que contava a história do Marquês de Tamandaré. Fui atrás porque sabia que essa história tinha um gancho inicial interessante: um pai contava ao filho quem foi o Marquês de Tamandaré.

Relendo a HQ, percebi que o gancho na verdade era um pouco mais preciso: o menino tinha acabado de construir um navio e o chamou de "Tamandaré", daí o pai perguntou "sabe quem foi Tamandaré?". E tem a partir daí início toda a história desse "herói nacional".

Eu pensei que não tivesse mais essa revista, qual foi a minha surpresa quando arrisquei procurar entre as minhas velhas revistas em quadrinhos. É uma HQ tão antiga que eu nem lembro como veio parar na minha mão, só sei que isso tem uns 20 anos – com a HQ em mãos é fácil perceber que sua editoração é pré-computador.

Tamandaré – Vida e Obra de Joaquim M. Lisboa tem roteiro e desenhos de José Menezes, foi editada pelo Ministério da Marinha – Serviço de Relações Públicas da Marinha e impressa pela Imprensa Naval. Não há nenhuma menção ao governo da época, o que torna mais difícil precisar a data da publicação.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Santa Maria


Marcos Estrela encontrou Maria usando a água da sua serigrafia sem permissão. Quando todos deram fé, Maria já dormia na loja de carros usados, comia na igreja evangélica, tomava banho na casa da vizinha de Marcos e já tinha adotado todos os gatos das redondezas.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Em busca da idéia perfeita

Às vezes, é difícil entender o que o cliente quer, assim como também muitas vezes não nos convencemos de que estamos no caminho certo. Pois eu me deparei com mais um trabalho desses. Tive que desenhar, redesenhar, pensar e repensar em como representar o desejo e a necessidade do cliente.

Segue abaixo o trajeto do trabalho, ainda em andamento. Clique nas imagens, pra ampliá-las.

Primeira idéia, representar a loja de maneira realista. As cores e os elementos das prateleiras nem foram elaborados e a idéia foi logo abandonada, por ser dura demais.


O realismo deu lugar ao conceito de boudoir, com um desenho a mão livre.

Alguns elementos que deveriam entrar no novo leiaute.

Mais uma mudança, desta vez, dando mais profundidade ao ambiente e uma colorização noir.

E aqui com um novo estudo de colorização.

Mais uma mudança radical, desta vez, voltando ao realismo, mas mantendo o cenário do boudoir.

Aqui, com as texturas e mais alguns objetos de cena aplicados.

Provavelmente, esta história continua... B-)

Crianças em contato com a obra de Bruno Munari

Ver, tocar, manipular, compor e decompor são diferentes ações relacionadas ao processo de aprendizagem e à formação cognitiva. Partindo disso, Proibido não tocar propõe um passeio inspirado na produção do designer Bruno Munari voltada para crianças.

Num percurso concebido especificamente para a idade pré-escolar, as crianças são conduzidas à experimentação baseada no fazer, na descoberta e na experiência multi-sensorial. Indo do percurso tátil, composto por diferentes situações e materiais, ao pré-livro, passando pelas mais diversas propostas de jogos, cada elemento presente foi pensado com o objetivo de provocar curiosidade, proporcionar descobertas e surpresas e conduzir a uma percepção mais aprofundada do mundo.

SESC Pinheiros
8/7 a 23/8
De terças às sextas-feiras, das 10h30 às 21h30.
Sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30.
Livre (recomendado para maiores de 2 anos).
Entrada franca.

Pra ajudar a contar uma história

Lendo o Guia Oficial DC Comics – Roteiros, da Opera Graphica Editora, escrito por Dennis O'Neil (ou Denny, como diz Stan Lee, que assina a introdução), eu pincei esse trecho do livro – são exatamente os primeiros parágrafos do guia.

"Me faça rir. Me faça chorar. Diga qual é o meu lugar no mundo. Me tire de minha pele e me coloque em outra. Mostre-se lugares que nunca visitei e me carregue aos confins do espaço e do tempo. Dê nome aos meus demônios e me ajude a enfrentá-los. Demonstre para mim possibilidades que nunca imaginei e me apresente heróis que me darão coragem e esperança. Alivie minhas mágoas e aumente minha alegria. Me ensine compaixão. Me entretenha e me encante e me ilumine.
Conte-me uma história." (O'NEIL: 2005, p. 9)

Esse livro me foi emprestado por Rodrigo Bueno – ele tá comigo há mais tempo do que devia, é verdade – e é o que tá me ajudando a escrever o roteiro.

Pra ilustrar este post, aqui vai mais um desenho do velho Guignard (clique na imagem, pra ampliar).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Referente

Falar do próprio trabalho é sempre mais difícil do que falar do trabalho dos outros – eu acho que isso é um consenso. É um exercício de auto-análise e de auto-conhecimento. Essa busca por referências está trazendo algumas surpresas. De repente, eu me pego fazendo relações entre coisas que aparentemente não dialogavam, mas que estão muito ligadas. Buscar essas referências está sendo um desafio prazeroso e revelador.

Ao tentar encontrar aquilo que mais diz respeito ao meu trabalho de estudante de artes plásticas – uma produção que apenas começa a se desenhar –, eu tentei chegar ao que seria a gênese desse pensamento artístico e encontrei um comportamento que persiste em mim, desde a minha infância, que é o de customizar as coisas ao me redor.

Desde criança, quase tudo o que passou pelas minhas mãos sofreu alguma transformação. Os quadrinhos da Disney que painho comprava para mim eram lidos e depois tinham suas figuras recortadas, para a criação de novas histórias. Os soldadinhos de plástico sofriam algumas alterações, como ter suas armas e bases de sustentação retiradas à estilete e, em alguns casos, ganhar outros acessórios, como capas feitas de bexiga, coletes de bico de chupeta ou espadas de rebites. O campo de botão foi aposentado para dar lugar à uma micro cidade, desenhada em planta baixa com giz de cera, por detrás do campo. Os habitantes dessa cidadela, os muquiluquianos – nome retirado de um episódio de Alf, o ETeimoso, se não me falha a memória – foram feitos a partir dos à época bastante populares “pinos mágicos”, que eu e meu irmão cortávamos para esculpir as figuras, e às quais ainda adicionávamos um bico de spray ou pinos de um mosaico para fazer as vezes de chapéu, cabelo e até bigode.

Pinos Mágicos, da fabricante de brinquedos Elka

Olhando em retrospecto, esse modo de lidar com os objetos à minha volta me parece uma constante na minha vida. Essa constância me dá uma sensação de coerência muito agradável, porque mostra que apesar da sensação de estar pisando num terreno muitas vezes movediço, ele também pode se mostrar firme e amigável, porque é reconhecível, familiar.

Quando recebemos a proposta de escrever um texto que procurasse referências para o nosso trabalho, me vieram logo à cabeça referências puramente artísticas, até a proposta ser plenamente explicada e eu entender que havia uma idéia mais ampla nessa pesquisa.

Guto Lacaz, estudos para a série “Revolta dos Produtos”

Desde o primeiro ano de faculdade, em 2007, nas aulas da professora Inês Raphaelian, eu sinto que o meu pensamento está muito ligado ao de Guto Lacaz.

Lacaz tem um humor e uma inteligência nas relações sugeridas em suas obras que muito me atraem e que eu busco trazer para o meu trabalho.

Foi assim com “Copo Americano” (um copo americano pintado com faixas em vermelho, azul e branco), um trabalho que traz o cinismo de se chamar “copo americano”, mas que também remete à idéia que Caetano Veloso dá dos norte-americanos, quando fala na sua música “Americanos” que eles “representam boa parte da alegria neste mundo”. É um encontro, onde as cores da bandeira americana envolvem a forma praticamente institucionalizada do mais perfeito recipiente para a cervejinha do boteco.

Piet Mondrian, Composição com Vermelho, Amarelo e Azul, 1921, óleo sobre tela, 80 x 50 cm, Gemeentemuseum, Haia

É quase uma brincadeira – de gente grande – olhar o mundo à sua volta e romper com os significados das coisas nele existentes, subvertendo suas funções e formas. E eu acredito que isso acontece em “Plástico”, onde tampas de potes de sorvete presas a uma placa de fórmica preta sugerem em suas cores fortes um pensamento pictórico. Esse trabalho deixa de ser apenas escultura para se tornar um pouco pintura. Suas formas cortadas pelas linhas pretas da fórmica remetem a Piet Mondrian e suas composições em cores primárias, organizadas em linhas verticais e horizontais. O fato de estar usando o plástico em estado industrializado pode remeter também a Kurt Schwitters com suas colagens com papéis e sucatas de toda ordem. “Plástico” é uma pesquisa estética, mas também um reaproveitamento do que acabaria virando lixo.

Claro que há outros artistas passíveis de relação, como também deve haver outros “causos” onde se possa encontrar mais exemplos de como se forma esse raciocínio. É interessante também perceber que nós não somos apenas “nós”, mas um acúmulo de vivências, uma síntese de tudo o que vimos, fizemos e apreendemos. Essa síntese tenta agora se expressar. Ela quer aparecer. Descobri-la pode e deve ajudar nesse processo.

Da conta do digital

Numa conversa que já dura dias – que nasceu de um pedido de fonte de computador, para um trabalho do designer Eduardo Pigatto sobre Bispo do Rosario –, surgiu a idéia de digitalizar as letras, originalmente feitas com linhas de costura ou lã, que tornaram conhecido o artista da Colônia Juliano Moreira.

Achei que digitalizar essas letras, criando talvez a tipologia "Bispo", daria conta da proposta de Eduardo, melhor que a DIN Engschrift que ele me pediu. Depois veio a questão: é da conta do digital dar conta de tudo o que existe, inclusive nosso jeito de desenhar as letras? Posso estar falando bobagem, mas escrever a mão é o que nos resta de só nosso, e digitalizar a letra de alguém transformando o ato de escrever numa ação eletrônica seria quase que tentar tirar tudo de nós.

Claro que não é pra tanto. Tem muito mais coisas que a gente faz que o computador nem sonha fazer – leia, que nós não sonhamos que ele faça –, mas eu penso se não é hora de parar essas máquinas perigosas e avassaladoras (!).

Mesmo depois de escrever tudo isso, eu continuo com vontade de fazer a fonte Bispo.

Enfim, o meu

Depois de alguns meses pesquisando, agora é hora de pôr a mão na massa. Começo hoje a produzir o meu primeiro projeto de quadrinhos.

Pra não entregar o ouro de uma vez só, eu vou postar aqui, sempre que possível, alguma novidade deste projeto.

Por ora, fiquem com o primeiro esboço do meu objeto de pesquisa, o artista fluminense Alberto da Veiga Guignard.