terça-feira, 28 de abril de 2009

Oficina de desenho

De 12/5 a 7/7, Mariana Zanetti e Silvia Amstalden, ministrarão oficina de prática do desenho e exercício do olhar, a partir de dois focos principais: a figura humana e a cidade.

Não é necessária experiência prévia em desenho.

Sesc Avenida Paulista
Av. Paulista, 119, Paraíso
Tels.: (0/xx/11) 3179-3700 / 3179-3765
email@avenidapaulista.sescsp.org.br
Terças e quintas, das 15h às 16h30.
Apenas para maiores de 12 anos.

sábado, 18 de abril de 2009

Ferida da Beleza

Na palestra que deu origem a esta postagem, o artista sacro Cláudio Pastro, sociólogo por formação, discutiu a função do autor de arte religiosa e o próprio papel da arte vinculada à religião, chegando a questionar a atuação da Igreja Católica neste campo, como veremos.

Pastro pareceu impregnado de um sentido messiânico.
“A função de um artista sacro - penso eu - é com muita responsabilidade a de ser um mistagogo, quer dizer, levar primeiramente a si mesmo e depois os demais para o paraíso” (p. 17).

Para Pastro, ética e estética estão amarradas. Tanto é assim que, de acordo com o autor, a arte sacra hoje produzida não é bela, porque não conduz o espectador a um vislumbre da verdade. Todo artista, defendeu, é cristão. “E todo cristão é artista” (p. 18). Atualmente, contudo, o cristianismo tem estado mais perto do bom do que do belo, cortando o caminho que considera importante, o de, como citado, atingir a verdade pela beleza, tornando-se receptivo para fazer o bem.

Outro ponto relevante do discurso de Pastro foi uma reflexão sobre os direitos humanos – mais exatamente, sobre os direitos que são reservados a nós e que nos permitem apenas a subsistência, impedindo-nos de transcender a mera existência.

“O direito à Beleza gera a festa e a celebração” (p. 19). Usando um exemplo do antigo testamento, o artista mostrou a necessidade da celebração. Para Pastro, nossa vida neste mundo é uma passagem “pelo deserto”, rumo a um outro plano, o da vida eterna. A festa é o momento de encontro com Deus. Uma pausa na rotina do dia-a-dia de trabalho que alivia a espera pelo encontro com o criador.

Pastro acredita que o artista tem uma função divina, que conduz o espectador à verdade. O compromisso com essa função, com a verdade, faz com que o artista possa se sentir livre até mesmo de instituições religiosas, se for o caso. É um compromisso pessoal e intransferível – por mais que sua arte seja “comunitária e objetiva” (p.22).

É nesse poder transformador da arte, tanto para o artista quanto para quem a contempla, que Pastro acredita. E é essa fé que o faz ser, mais do que um artista sacro, um artista.

Bibliografia
STERZI, Alessandra (org.). O Homem. A Arte. Temas da Cultura Contemporânea, São Paulo: apostila, 2008, p. 17 a 23.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Grupo de Estudos: Intervenção Urbana

De 16/5 a 11/7, acontece no Sesc Pompéia o curso Intervenção Urbana – Grupo de estudos, sob orientação de Milene Valentir, Tábata e Diogo Rios.

Segundo os organizadores do curso, a proposta é a criação de "um grupo que traga suas inquietações e poetizações sobre a cidade e encontre espaço para aprofundamento e troca [...] com múltiplas ações tanto do ponto de vista de suas próprias reflexões individuais quanto ações coletivas."

Sesc Pompéia
R. Clélia, 93, Pompéia
Tel.: (0/xx/11) 3871-7700
email@pompeia.sescsp.org.br
Sábado, das 14h30 às 17h30.
Apenas para maiores de 16 anos.
Grátis

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Piet Mondrian

Trabalho feito com Daniel Ekizian, apresentado à profª Regina Teixeira de Barros, História da Arte II.



Pieter Cornelius Mondrian nasceu em Amersfoort, Holanda, em 1872, e faleceu em Nova Iorque, em 1944. Era filho de um pastor calvinista, que não o queria pintor. Para estudar artes, precisou se formar professor de desenho. Essa formação calvinista não aparece em suas obras. Não é invadida pela religião. Apesar disso, críticos acreditam que o termo “neoplasticismo”, criado por Mondrian para designar sua pintura, tenha sido inspirado na concepção místico-religiosa dos teósofos que admirava.

Apesar de ser um dos principais nomes da arte abstrata, não é considerado um dos pioneiros por conta de uma aquarela de Kandinsky, de 1910. No início, seu trabalho é figurativo.

Em 1909, expõe as primeiras criações no Museu Municipal de Amsterdam. A crítica oficial o desqualifica, porém, o crítico Conrad Kickert, o qualifica como “uma figura marcante da arte européia que sai da Holanda”. Com Kickert e outros artistas forma o Comitê diretor do Círculo de Arte Moderna, em Amsterdam. Organizavam exposições de movimentos de vanguarda: Cézanne, Braque, Gaughin e Léger.

Sua arte – o neoplasticismo – encontrou resistência mais longa que a que sofreram Braque e Picasso. Só aos 70 anos faz sua primeira exposição individual, apesar de ser conhecido desde a 1ª Guerra Mundial.

Árvore Vermelha, de 1909/10, é uma das primeiras versões do tema “árvores”, que Mondrian repetirá até 1912. Nela há a sintetização da imagem, que perde seus elementos secundários, numa busca do ritmo essencial.

Duna, c.1910, traz o mínimo de linhas. Contempla a natureza, propondo a abstração do objeto contemplado.

Kickert oferece a Mondrian seu ateliê em Montparnasse, em Paris. É na sua temporada em Paris que inicia sua fase cubista, rompendo com a pintura figurativa. Em 1912 passa a assinar “Mondrian”, em vez de “Mondriaan”, como no original em
holandês.

Em Árvore Prateada, de 1911, Mondrian retoma o tema “árvores”. Ainda há efeitos de luz sobre a árvore. Com Macieira em Flor, c. 1912, esgota as pesquisas de estrutura e composição. Ramos e relação com o espaço são solucionados por meio de uma rede autônoma de linhas e cores.

Em Composição nº 3, Árvores, de 1912, o aspecto natural do objeto se perde, cada vez mais, e acaba por se tornar irreconhecível. A estrutura cubista é simplificada e o objeto desaparece para dar lugar à geometria pura.

Em 1913, Mondrian ainda está em fase de transição, trabalhando com base no cubismo. Em Quadro 1, 1912/13, fica clara essa transição entre o cubismo e o abstracionismo.

Na Composição Oval, Árvores, 1913, as linhas horizontais e verticais entrecruzadas, e zonas coloridas e pálidas sugerem uma elevação em relevo sobre a trama geométrica. Com Composição em Azul, Cinza e Rosa, 1913, a delicadeza das cores, em gama de tons suaves.

Em visita ao pai enfermo, é obrigado pela guerra a permanecer na Holanda, entre 1914 e 1919, quando ele começa a “trabalhar a arte abstrata em uma série de árvores, casa, fachadas, igrejas etc… […] contudo, eu sentia que pintava ainda de maneira impresssionista e que continuava a exprimir os sentimentos pessoais e não a realidade pura. […] Aos poucos, eu me dei conta de que o cubismo não absorvia as conseqüências lógicas de suas próprias descobertas, que não desenvolvia a arte abstrata até seu limite extremo: a expressão da realidade pura”.

Estas são as linhas diretrizes da arte abstrata. Toda imagem é realidade, ao mesmo tempo em que essa realidade é estruturalmente ordenanda em formas geométricas e cores primárias, apreendendo linhas e ritmos.

“A pintura abstrata de hoje tem pouco a ver com abstração lógica o matemática. Ela é inteiramente concreta sem simular um universo de objetos ou conceitos que existam fora da moldura. Na maioria dos casos, o que vemos na tela pertencem a ela e a mais nenhum outro lugar. Mas a abstração em pintura evoca o artista no ato de pintar - Seu toque, sua vitalidade e estado de espírito“ Meyer Schapiro.


Composição nº 10, Dique e Oceano, 1915, Composição em Azul B, 1917 e Composição em Vermelho, Amarelo e Azul, 1921: elementos fundamentais restritos aos verticais e horizontais, que se cortam, cores reduzidas a 3 tonalidades e uniformidade no fundo claro quebrada pelas manchas de cores em tonalidades vivas. Branco e negro claramente delimitados e trama mais fechada.

Em 1917, com Van Doesburg, nasce De Stijl, publicação que trazia ensaios de renomados pintores, arquitetos, poetas e críticos. Para Mondrian, em vez de partir de intenções prévias, a obra de arte devia definir-se no próprio ato da criação. A revista homenageia Mondrian desde o primeiro número, mas as relações com Van Doesburg foram cortadas por divergências estéticas. Mondrian rompeu com o artista amigo, quando este ousou inserir uma diagonal naquele sistema fixo de linhas verticais e horizontais. Ele escreveu a Van Doesburg: “depois da sua correção arbitrária de neoplasticismo, qualquer colaboração, seja de que tipo for, tornou-se impossível para mim” em seguida, retirou-se do conselho da resvista De Stijl.

Entre 1919 e 1920, Mondrian mostra domínio de um esquema estrutural, um processo de abstração dos aspectos da realidade empírica. Nesse neoplasticismo, linhas verticais e horizontais delimitam as zonas de cor. Há uma sintonia com a funcionalidade da arquitetura, anúncios luminosos das ruas, grafismo e publicidade moderna, e com o urbanismo das cidades planejadas.

De volta a Paris, passa por dificuldades financeiras e é obrigado a pintar flores em telas figurativas.

Quadro I, 1921, Composição, 1921 e Composição, 1923: afasta cada vez mais as zonas de cor. Linhas retas e cores primárias alternadas com zonas brancas e necessidade de uma organização rigorosa.

Em 1925, na Alemanha, sua tese ganhava força com a Bauhaus, em Weimar, que divulga uma tradução de O Neoplasticismo, publicado em francês, 5 anos antes.

Em Composição em Preto e Azul, de 1926, entra a composição em losângulo, comum em muitas obras dos anos 30, e a busca pela simplificação.

Fugindo da iminência da 2ª Guerra Mundial, viaja para Londres e depois para Nova Iorque, protegidos por amigos. São dessa época Broadway Boogie-woogie e Victory Boogie-woogie, que representam a última fase de Mondrian. Aqui, ele encontra estímulos nos americanos, imprimindo vibração nas composições.

Organiza sua primeira mostra individual, na Galeria Valentin Dudensing, e morre 2 anos depois, de uma pneumonia mal curada.

Bibliografia
SCHAPIRO, Meyer. Mondrian. A Dimensão Humana da Pintura Abstrata. São Paulo: Cosac & Naify, 2001
GOODING, Mel. Arte Abstrata. São Paulo: Cosac & Naify, 2002
Coleção de Arte: Mondrian e a Pintura Abstrata. São Paulo: ed. Globo, 1997
Gênios da Pintura: Mondrian. São Paulo: Abril Cultural, 1996

domingo, 12 de abril de 2009

Tarsila e Lasar, Olhares sobre um Mundo em Ebulição



As exposições Tarsila Viajante e Segall Realista, de 2008 e já encerradas, mostraram mais do que as viagens da artista paulista ou a fase realista do artista lituano, naturalizado brasileiro. Elas revelaram olhares sensíveis sobre o mundo que os cercavam.

Tarsila do Amaral, em suas viagens pelo Brasil e pelo exterior, se faz valer de suas recordações da infância e de uma observação minuciosa da natureza, da arquitetura e do homem, sobretudo as transformações da sociedade. O hábito de desenhar o que vê em bloquinhos, ou em qualquer pedaço de papel, aprendido com Pedro Alexandrino1, se torna fundamental para a elaboração de suas obras.

Há nesses “anos de formação”2, pinturas impressionistas e cubistas. É a busca da artista por um modo próprio de pintar. Paulatinamente, seu desenho ganha o traço e o recorte típicos de sua fase mais conhecida. É um refinamento do desenho e do olhar.

O amadurecimento de Tarsila começa a surgir a partir de sua viagem por parte do Brasil, principalmente o interior de Minas Gerais. Dos desenhos que registraram essa viagem, resulta a descoberta da sua linguagem, que se projetaria durante toda a década de 20, período em que mais ativamente contribui com a arte brasileira.

Lasar Segall, nascido na Lituânia – território, à época, dominado pela então Rússia czarista –, estudou pintura na Alemanha. Vindo de uma situação de medo e insegurança na Europa, provenientes dos conflitos da Primeira Guerra Mundial, Segall encontra aqui a acolhida dos artistas locais. Ele expõe seus trabalhos em 1913, “um dos primeiros acontecimentos precursores da arte moderna no Brasil”3.

O artista procura expressar as paixões e os sofrimentos do ser humano, com o seu traço esquinado e suas cores fortes. Judeu, sentiu na pele as dificuldades por fazer parte desse grupo perseguido.

Já Tarsila do Amaral trata em obras como A Negra, de 1923; Carnaval em Madureira, E.F.C.B., São Paulo (Gazo), São Paulo, Morro da Favela, de 1924; e O Mamoeiro, 1925, de temas que, ora falam das mudanças sociais, ora dos costumes interioranos. Nesses trabalhos, as camadas mais pobres e o progresso técnico são temas abordados. Há o conjunto de raízes nacionais e linguagem contemporânea internacional, refletindo o espírito da época. Como disse Mário de Andrade, “dentro da história da nossa pintura ela foi a primeira que conseguiu realizar uma obra de realidade nacional”4.

Nessas observações dos rumos das sociedades que os trabalhos de Lasar Segall e de Tarsila do Amaral se cruzam. Mas nem só das visões de “dentro de casa” se alimentam as suas obras. Em suas viagens, o olhar atento se faz presente, se sensibiliza e se mostra em trabalhos ricos de significados.

Se na Europa daqueles tempos era difícil ser judeu, aqui, ser negro não era diferente. Segall, possivelmente simpático às causas de grupos perseguidos, vê no negro brasileiro uma forte identidade com a sua própria história, chegando a se retratar mulato, em um de seus quadros. As cores cada vez mais intensas, assumindo o lugar dos tons quentes, porém rebaixados, de sua fase européia, surgem inicialmente nos cenários, com folhas verdes, céus vespertinos e flores coloridas. O negro é quem dá cor às figuras humanas. As cores vibrantes não trazem “alegria” às suas telas. O tom melancólico reside, mostrando a face real da nação – resistir a representar o povo alegre e hospitaleiro do Brasil não chega a ser um mérito seu, pois essa imagem ainda não era explorada, como veríamos nas décadas seguintes e ainda nos dias de hoje.

Falar do negro entre meados dos anos 1920 e 1930 no Brasil significava discutir o que era o povo brasileiro. Período rico em discussões nacionalistas, sejam nas artes, na literatura ou nas ciências humanas, o estudo e a busca da nossa identidade estava em voga. “E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-mundi do Brasil”5. A Negra, de Tarsila, e Morro Vermelho, de Segall, são obras que marcam as impressões de quem pensava o Brasil como povo, seja como nativo ou estrangeiro.

Em uma espécie de inversão de papéis inconsciente, Tarsila, quando sai do Brasil, também tenta entender o que vê. Seu olhar estrangeiro não impede que ela alie o que a ela se apresenta com o que acontecia aqui. Duas obras marcam esse pensamento: Operários e Segunda Classe, ambos de 1933. Resultados de sua viagem à já União Soviética.

As duas exposições atenderam às suas propostas. Tarsila Viajante conseguiu abranger grande parte da produção da artista no período de suas viagens e até mais, assim como Segall Realista, que transitou do expressionismo à sua fase mais naturalista, chegando ao seu último ciclo de pinturas, com as séries Erradias, Florestas e Favelas.

Notas
1 – Professor de Tarsila, em 1917. Seus métodos acadêmicos de ensino da pintura seriam logo abandonados pela artista, que foi para o cubismo, fase pela artista chamada de “serviço militar”.
2 – O termo dá nome à sala onde se encontram os primeiros trabalhos da artista, na exposição Tarsila Viajante, na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
3 – PROENÇA, Graça. História da Arte. São Paulo, ed. Ática, 1991, p. 230.
4 – AMARAL, Aracy (texto e cronologia). Tarsila do Amaral – Projeto Cultural Artistas do Mercosul. São Paulo: Fundação Finambrás, p. 3.
5 – ANDRADE, Oswald de apud AMARAL, Aracy. Tarsila do Amaral – Projeto Cultural Artistas do Mercosul. São Paulo: Fundação Finambrás, p. 3.

Bibliografia
AMARAL, Aracy (texto e cronologia). Tarsila do Amaral – Projeto Cultural Artistas do Mercosul. São Paulo, Fundação Finambrás, s/d.
PROENÇA, Graça. História da Arte. São Paulo, ed. Ática, 1991.
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Brasil – Psicanálise & Modernismo. São Paulo, s/d (catálogo)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

El Greco, a Metamorfose da Luz


Enterro do Conde de Orgaz, 1586-1588. Óleo sobre tela. Igreja de São Tomé, Toledo, Espanha.

A Associação de Texturas

“A beleza do corpo não consiste na sombra da matéria, mas na claridade e na graça da forma, não na massa obscura, mas em uma espécie de harmonia luminosa...”1


Nessa frase de Marsilio Ficino, se explicita e se sintetiza o pensamento renascentista, no que diz respeito à oposição entre o divino e o terreno; o claro e o escuro; o transparente e o turvo, mais do que isso, o desejo de conquistar a representação perfeita de uma “realidade cristalina”2. El Greco, opondo-se a essa idéia, passa a inserir em seus trabalhos uma marca de que aquilo foi feito por um homem - sem o compromisso de tentar representar a realidade, tal qual ela se apresenta aos olhos do artista -, expondo, assim, toda o processo pictórico do trabalho. Ele mostra tudo o que o Renascentismo escondeu: a tela, a tinta e principalmente a pincelada.

Como uma espécie de escultor, de modelador, Domenikos Theotokopoulos não só deixa massas de tinta na tela, ele também torce e forja as massas pictóricas. Tudo ganha força e tensão. Tudo ganha expressividade e dramaticidade. El Greco não se molda ao pensamento da época, ele molda, sim, esse pensamento à sua própria visão de expressão artística.

Ver uma pintura de El Greco é quase como ver uma gravação: “Desde que o olho possa seguir todos os golpes do pincel, a mente poderá recuperar os gestos do artista...”3. Está tudo lá, na tela. O trabalho manual se mostra em alto-relevo, refletindo a luz, dando volume.

Voltando à idéia de forjar massas - sejam elas em relevo e/ou pictóricas -, a obra Enterro do Conde de Orgaz parece bem adequada e representativa. A tela em si, sobretudo na parte superior, tem uma forma conjunta muito expressiva, sólida e coesa - não sendo rompida nem mesmo pela fila de cabeças. Dá para ver no todo o peso e a dor que se percebe nas suas partes (elementos/figuras da pintura), isoladamente. A falta de ponto de fuga evidencia a idéia de uma grande massa dramática, suspensa no ar - já que até a base (chão) foi eliminada.

As nuvens parecem rochas, sustentando a cena superior. A luz, vinda de vários pontos, reflete por vezes intensamente branca, num forte contraste, ao mesmo tempo opaco, seco. Ainda na parte superior, Domenikos Theotokopoulos faz, intuitivamente, efeitos de tensão e fusão, usando as complementares amarelo e roxo.

Nos seus elementos, em pequenos detalhes, vemos mensagens, ora em acordo, ora em direções distintas. Esse é o caso das mãos abertas, observado por Naves, na parte inferior da tela, apontadas para as mais diversas direções, desafiando aqueles que tentem encontrar uma perspectiva. Sem perspectiva parece um termo também adequado às figuras, donas dessas mãos espalmadas, que não demostram nenhuma expressividade.

Como disse Naves, a solidez das texturas paralisa praticamente toda a tela, deixando em supenso a noção de tempo e espaço.

Notas
1 – FICINO, Marsilio apud NAVES, Rodrigo. El Greco, O Mundo Turvo. São Paulo, Ed. Brasiliense, 1985, p. 12.
2 – NAVES, Rodrigo. idem.
3 – FRY, Roger apud NAVES, Rodrigo. ibidem, p. 22.

Bibliografia
NAVES, Rodrigo. El Greco, O Mundo Turvo. São Paulo, Ed. Brasiliense, 1985

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Lançamento do Livro Gastronomia Solidária


No próximo dia 14/4, na Fasm, a Editora Texto & Design apresenta ao público o resultado de uma parceria de colaboração voluntária feita com o projeto social Gastronomia Solidária. O livro traz o relato do trabalho social e receitas realizadas pelos alunos do projeto Gastronomia Solidária.

O livro, que leva o mesmo nome do projeto, traz em 92 páginas o relato do trabalho de capacitação profissional realizado na Paróquia São Domingos, em Perdizes, desde meados de 2008, comandado pela psicóloga Sandra Simões e voltado a pessoas desempregadas, de baixa renda e moradores de rua. O projeto inicia essas pessoas em noções básicas de gastronomia e os capacita para profissões ligadas a esse setor.

14/4, às 19h30
Faculdade Santa Marcelina
R. Dr. Emílio Ribas, 89, Perdizes

Exposição segmento_ vídeo, fotografia, de Cao Guimarães

De 3/4 a 16/5, a exposição de Cao Guimarães ocupará o piso térreo da galeria Galeria Nara Roesler com duas séries de fotos e um vídeo.

O vídeo Memória e as dez fotografias de Campo Cego, ambos de 2008, revelam mais uma vez o olhar viajante do artista. Essa série fotográfica, produzida em colaboração com Carolina Cordeiro, reúne placas de estrada cobertas espontaneamente por barro e poeira que impossibilitam a sua leitura. A outra sala da galeria acolhe a série de fotografias, Espantalho, de 2009, em que a memória também aparece como tema implícito.

segmento_ vídeo, fotografia
Galeria Nara Roesler
Av. Europa, 655, Jardim Europa
Tels.: (0/xx/11) 3063-2344 / 3088-0593
Segunda a sexta-feira, das 10h às 19h
Sábados, das 11h às 15h
nararoesler@nararoesler.com.br
www.nararoesler.com.br

Programação do Sesc Pompéia

Dentro de uma proposta de unir palavra e imagem, a poeta Alice Ruiz e a artista plástica Suely Shiba oferecem um curso com a proposta de juntar o haikai (poesia sintética oriental) com o sumiê (pintura gestual oriental).

Envolvendo diretamente a fotografia, teremos uma programação comemorativa do Dia Mundial do Pinhole. Haverá aula aberta para construir a câmera com a latinha e fotografar em papel P&B; e minicurso para construir a câmera caixa de fósforos e com filme colorido.

A inscrição para os minicursos começaram em 1/4.
A aula aberta é grátis e a inscrição deve ser feita 30 min antes da atividade.

Imagem+Palavra
Minicurso Haikai e Sumiê
A proposta dessa oficina é unir duas práticas que necessitam de uma espécie de preparação para que os participantes estejam em “estado poético” e com isso consigam se colocar no papel, com poesia e/ou pintura, de maneira espontânea, singela, natural e profunda através de gestos únicos e sem hesitação.
Duração: 6 encontros.
Orientação: Alice Ruiz e Suely Shiba.
Dias 17, 18, 19, 24, 25 e 26/4
Sexta-feira, das 19h às 21h30
Sábado e domingo, das 14h30 às 17h

Batepapo aberto com Alice Ruiz
A poeta conta um pouco do seu processo de criação.
Dia 22/4, às 19h

Dia Mundial do Pinhole
Minicurso Pinhole de caixa de fósforos
Em comemoração ao dia mundial do pinhole (câmera de orifício) a proposta é a construção de uma câmera de pequena dimensão que será confeccionada a partir de uma caixinha de fósforos e que utilizará filme colorido para o registro das imagens. No primeiro dia será produzida a câmera e as imagens fotográficas e no segundo dia serão escaneadas para inserção no site do projeto.
Duração: 2 encontros.
Orientação: Elizabeth Lee.
Dias 25 e 26/4
Sábado e domingo, das 15h às 17h30
 
Aula aberta de Pinhole
Construção de uma câmera de orifício a partir de uma lata para captura e revelação de imagens fotográficas.
Orientação: Elizabeth Lee.
Dias 25 e 26/4
Sábado e domingo, das 11h às 13h30

Sesc Pompéia
R. Clélia, 93, Pompéia
Tel.: (0/xx/11) 3871-7700
email@pompeia.sescsp.org.br

5ª Mostra de Vídeos da Fasm


Para pegar o edital e o formulário de inscrição, clique em www.fasm.edu.br

Deu n'O Globo


Clique na imagem para vê-la ampliada.

Vale a pena guardar.

II Seminário Nacional de Pesquisa em Cultura Visual


Organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Cultura Visual – UFG, o evento abre espaço para apresentação e discussão de trabalhos convidando pesquisadores, mestrandos e doutorandos do país para expandir interlocuções e reforçar o debate sobre questões do campo da arte e da cultura visual.

Os grupos de trabalho que compõem as temáticas do evento são:
– História, teoria e crítica da arte e da imagem;
- Poéticas visuais e processos de criação;
- Culturas da imagem e processos de mediação.

Inscrições até 31/5.
spesquisaculturavisual@gmail.com
Mais informações:
www.fav.ufg.br/culturavisual/seminario/

Palestras Gratuitas de Comunicação, no MuBE

O Museu Brasileiro da Escultura, MuBE, está com inscrições abertas, até 27/4, para palestras gratuitas sobre comunicação.

O evento CPM in Caffè - O Renascimento e a Comunicação terá ainda apresentação de cases das agências de comunicação Pande e Nova SB, e trabalhos realizados pelos participantes.

Serão três palestras: A Comunicação Sob a Ótica do Renascimento, ministrada por Oriana White, doutora nas áreas de comunicação e cultura (ECA/USP); O Neo-renascimento e o Consumo, com Bia Gropp, mestre em etnologia e etnolinguística pela Universidade de Paris, e Rosa Alegria, futurista, pesquisadora de tendências e comunicadora; O Renascimento e sua Relação com os Nossos Tempos, apresentada pelo diretor cultural do MuBE, Olívio Guedes.

Podem participar pessoas maiores de 18 anos.
O MuBE fornecerá certificado de participação.
CPM in Caffè - O Renascimento e a Comunicação
Dia 28/4, das 14h às 20h
Auditório Pedro Piva - 192 lugares
R. Alemanha, 221, Jardim Europa
Tel.: (0/xx/11) 2594-2601
Acesso para pessoas com deficiência, serviço de manobristas e restaurante no local.

sábado, 4 de abril de 2009

Curso "Entre a Imagem e o Espaço", no Collegio das Artes

Ministrado por Rubens Mano, o curso pretende, através da análise de textos, da leitura do projeto de determinados artistas e do acompanhamento do trabalho dos participantes, discutir a correspondência existente entre a transformação de espaços e a maneira como percebemos e "acionamos" tais ambientes.

O curso se apoia nas articulações entre imagem e espaço, ou entre fotografia e arquitetura, para entender como essas relações podem revelar a presença de uma dinâmica da produção de imagens nos processos de produção do espaço, e vice-versa.

A partir de 7/4
Terças-feiras, das 20h às 22h30
10 vagas

Collegio das Artes
R. Cônego Eugênio Leite, 273, Pinheiros
Tel.: (0/xx/11) 3064-4740
cursos@collegiodasartes.art.br
www.collegiodasartes.art.br

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Programação Conto em Cantos


A companhia Conto em Cantos foi criada em 2005 pelas atrizes Juliana Offenbecker e Priscila Harder, contadoras de histórias e arte-educadoras, e desenvolve uma pesquisa sobre teatro-narrativa, focando a arte de contar histórias e atividades teatrais e lúdicas.

Programação

4/4, às 13h30, no SESC Ipiranga
Aventuras e Brincadeiras – Guerreiros da Saúde

4/4, às 16h, no SESC Ipiranga
Contos de Encantamento

11/4, às 13h30, no SESC Ipiranga
Aventuras e Brincadeiras no Planeta Azul

11/4, às 16h, no SESC Ipiranga
Quatro Contos do Mundo

18/4, às 13h30, no SESC Ipiranga
Aventuras e Brincadeiras – Guerreiros da Saúde

18/4, às 16h, no SESC Ipiranga
Contos Brasileiros

21/4, às 14h, no SESC Pinheiros
Contos Brasileiros

25/4, às 13h30, no SESC Ipiranga
Aventuras e Brincadeiras no Planeta Azul

25/4, às 16h, no SESC Ipiranga
Contos de Meio Ambiente

30/4, às 14h, no SESC Pinheiros
Contos de Meio Ambiente

30/4, às 15h, no SESC Pinheiros
Teatro-narrativa (somente para escolas)

É necessário fazer inscrição e conferir a faixa etária indicada.
Entrada Franca.
www.contoemcantos.com.br

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Curso "Aproximações da Arte Moderna", no MAM-SP

Pegando carona nas comemorações do França.BR 2009 - Ano da França no Brasil e a proximidade da abertura da exposição Olhar e Fingir: Fotografias da Coleção Auer, o Museu de Arte Moderna de São Paulo promove o curso Aproximações da Arte Moderna, ministrado pela crítica de arte Magnólia Costa.

O curso abordará aspectos pouco discutidos da produção de artistas franceses, como Rodin e Matisse, e de artistas que desenvolveram sua obra na França, como Picasso, Miró e Giacometti. Um curso para ampliar conhecimentos sobre a arte moderna e mergulhar no trabalho de artistas fundamentais na arte ocidental.

Programa
1. A poesia na escultura de Auguste Rodin e Camille Claudel
2. Picasso e os mestres
3. Léger, mensageiro do Espírito Novo
4. Decoração e exotismo em Matisse
5. Sonho e casualidade em Miró
6. Esculpindo sombras com Giacometti
7. O infinito em Brancusi

Terças-feiras, das 18h às 20h
Início 7/4
Duração 2 meses
R$ 190,00 por mês
Público adulto
30 vagas

Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3
Inscrições pelo telefone (0/xx/11) 5085-1312 ou pelo email cursos@mam.org.br
www.mam.org.br

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Anúncio para o anuário Beans


Anúncio completo





Abertura da exposição [das imagens às coisas]


Projeto: Encontros com Arte
Exposição de obras de Ana Paula Lobo, Eduardo Salvino e Marcelo Salum.


Grupo ARTE&MEIOSTECNOLÓGICOS - FASM / CNPq
Curadoria de Ananda Carvalho
De 2/4 a 2/5

Christiane Mello, Paula Garcia, Eduardo Salvino, Claudio Bueno, Ana Paula Lobo, Ananda Carvalho, Denise Agassi, Lucas Bambozzi, Nancy Betts, Marcelo Salum, Monique Allain e Carolina Toledo em debates e exposições sobre as possibilidades de intersecção dos meios tecnológicos como potencial de criação e produção artística na atualidade.

Próximos Encontros
Grupo 2, de 8/5 a 22/5
Grupo 3, de 4/6 a 17/6

Segunda à sexta-feira, das 10h às 22h
Sábados, das 10h às 19h

ESCOLA SÃO PAULO
R. Augusta, 2239
Próximo ao metrô Consolação
Estacionamento na r. Augusta, 2309
Tel.: (0/xx/11) 3060-3636
www.escolasaopaulo.org