sábado, 18 de abril de 2009

Ferida da Beleza

Na palestra que deu origem a esta postagem, o artista sacro Cláudio Pastro, sociólogo por formação, discutiu a função do autor de arte religiosa e o próprio papel da arte vinculada à religião, chegando a questionar a atuação da Igreja Católica neste campo, como veremos.

Pastro pareceu impregnado de um sentido messiânico.
“A função de um artista sacro - penso eu - é com muita responsabilidade a de ser um mistagogo, quer dizer, levar primeiramente a si mesmo e depois os demais para o paraíso” (p. 17).

Para Pastro, ética e estética estão amarradas. Tanto é assim que, de acordo com o autor, a arte sacra hoje produzida não é bela, porque não conduz o espectador a um vislumbre da verdade. Todo artista, defendeu, é cristão. “E todo cristão é artista” (p. 18). Atualmente, contudo, o cristianismo tem estado mais perto do bom do que do belo, cortando o caminho que considera importante, o de, como citado, atingir a verdade pela beleza, tornando-se receptivo para fazer o bem.

Outro ponto relevante do discurso de Pastro foi uma reflexão sobre os direitos humanos – mais exatamente, sobre os direitos que são reservados a nós e que nos permitem apenas a subsistência, impedindo-nos de transcender a mera existência.

“O direito à Beleza gera a festa e a celebração” (p. 19). Usando um exemplo do antigo testamento, o artista mostrou a necessidade da celebração. Para Pastro, nossa vida neste mundo é uma passagem “pelo deserto”, rumo a um outro plano, o da vida eterna. A festa é o momento de encontro com Deus. Uma pausa na rotina do dia-a-dia de trabalho que alivia a espera pelo encontro com o criador.

Pastro acredita que o artista tem uma função divina, que conduz o espectador à verdade. O compromisso com essa função, com a verdade, faz com que o artista possa se sentir livre até mesmo de instituições religiosas, se for o caso. É um compromisso pessoal e intransferível – por mais que sua arte seja “comunitária e objetiva” (p.22).

É nesse poder transformador da arte, tanto para o artista quanto para quem a contempla, que Pastro acredita. E é essa fé que o faz ser, mais do que um artista sacro, um artista.

Bibliografia
STERZI, Alessandra (org.). O Homem. A Arte. Temas da Cultura Contemporânea, São Paulo: apostila, 2008, p. 17 a 23.

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