segunda-feira, 13 de abril de 2009

Piet Mondrian

Trabalho feito com Daniel Ekizian, apresentado à profª Regina Teixeira de Barros, História da Arte II.



Pieter Cornelius Mondrian nasceu em Amersfoort, Holanda, em 1872, e faleceu em Nova Iorque, em 1944. Era filho de um pastor calvinista, que não o queria pintor. Para estudar artes, precisou se formar professor de desenho. Essa formação calvinista não aparece em suas obras. Não é invadida pela religião. Apesar disso, críticos acreditam que o termo “neoplasticismo”, criado por Mondrian para designar sua pintura, tenha sido inspirado na concepção místico-religiosa dos teósofos que admirava.

Apesar de ser um dos principais nomes da arte abstrata, não é considerado um dos pioneiros por conta de uma aquarela de Kandinsky, de 1910. No início, seu trabalho é figurativo.

Em 1909, expõe as primeiras criações no Museu Municipal de Amsterdam. A crítica oficial o desqualifica, porém, o crítico Conrad Kickert, o qualifica como “uma figura marcante da arte européia que sai da Holanda”. Com Kickert e outros artistas forma o Comitê diretor do Círculo de Arte Moderna, em Amsterdam. Organizavam exposições de movimentos de vanguarda: Cézanne, Braque, Gaughin e Léger.

Sua arte – o neoplasticismo – encontrou resistência mais longa que a que sofreram Braque e Picasso. Só aos 70 anos faz sua primeira exposição individual, apesar de ser conhecido desde a 1ª Guerra Mundial.

Árvore Vermelha, de 1909/10, é uma das primeiras versões do tema “árvores”, que Mondrian repetirá até 1912. Nela há a sintetização da imagem, que perde seus elementos secundários, numa busca do ritmo essencial.

Duna, c.1910, traz o mínimo de linhas. Contempla a natureza, propondo a abstração do objeto contemplado.

Kickert oferece a Mondrian seu ateliê em Montparnasse, em Paris. É na sua temporada em Paris que inicia sua fase cubista, rompendo com a pintura figurativa. Em 1912 passa a assinar “Mondrian”, em vez de “Mondriaan”, como no original em
holandês.

Em Árvore Prateada, de 1911, Mondrian retoma o tema “árvores”. Ainda há efeitos de luz sobre a árvore. Com Macieira em Flor, c. 1912, esgota as pesquisas de estrutura e composição. Ramos e relação com o espaço são solucionados por meio de uma rede autônoma de linhas e cores.

Em Composição nº 3, Árvores, de 1912, o aspecto natural do objeto se perde, cada vez mais, e acaba por se tornar irreconhecível. A estrutura cubista é simplificada e o objeto desaparece para dar lugar à geometria pura.

Em 1913, Mondrian ainda está em fase de transição, trabalhando com base no cubismo. Em Quadro 1, 1912/13, fica clara essa transição entre o cubismo e o abstracionismo.

Na Composição Oval, Árvores, 1913, as linhas horizontais e verticais entrecruzadas, e zonas coloridas e pálidas sugerem uma elevação em relevo sobre a trama geométrica. Com Composição em Azul, Cinza e Rosa, 1913, a delicadeza das cores, em gama de tons suaves.

Em visita ao pai enfermo, é obrigado pela guerra a permanecer na Holanda, entre 1914 e 1919, quando ele começa a “trabalhar a arte abstrata em uma série de árvores, casa, fachadas, igrejas etc… […] contudo, eu sentia que pintava ainda de maneira impresssionista e que continuava a exprimir os sentimentos pessoais e não a realidade pura. […] Aos poucos, eu me dei conta de que o cubismo não absorvia as conseqüências lógicas de suas próprias descobertas, que não desenvolvia a arte abstrata até seu limite extremo: a expressão da realidade pura”.

Estas são as linhas diretrizes da arte abstrata. Toda imagem é realidade, ao mesmo tempo em que essa realidade é estruturalmente ordenanda em formas geométricas e cores primárias, apreendendo linhas e ritmos.

“A pintura abstrata de hoje tem pouco a ver com abstração lógica o matemática. Ela é inteiramente concreta sem simular um universo de objetos ou conceitos que existam fora da moldura. Na maioria dos casos, o que vemos na tela pertencem a ela e a mais nenhum outro lugar. Mas a abstração em pintura evoca o artista no ato de pintar - Seu toque, sua vitalidade e estado de espírito“ Meyer Schapiro.


Composição nº 10, Dique e Oceano, 1915, Composição em Azul B, 1917 e Composição em Vermelho, Amarelo e Azul, 1921: elementos fundamentais restritos aos verticais e horizontais, que se cortam, cores reduzidas a 3 tonalidades e uniformidade no fundo claro quebrada pelas manchas de cores em tonalidades vivas. Branco e negro claramente delimitados e trama mais fechada.

Em 1917, com Van Doesburg, nasce De Stijl, publicação que trazia ensaios de renomados pintores, arquitetos, poetas e críticos. Para Mondrian, em vez de partir de intenções prévias, a obra de arte devia definir-se no próprio ato da criação. A revista homenageia Mondrian desde o primeiro número, mas as relações com Van Doesburg foram cortadas por divergências estéticas. Mondrian rompeu com o artista amigo, quando este ousou inserir uma diagonal naquele sistema fixo de linhas verticais e horizontais. Ele escreveu a Van Doesburg: “depois da sua correção arbitrária de neoplasticismo, qualquer colaboração, seja de que tipo for, tornou-se impossível para mim” em seguida, retirou-se do conselho da resvista De Stijl.

Entre 1919 e 1920, Mondrian mostra domínio de um esquema estrutural, um processo de abstração dos aspectos da realidade empírica. Nesse neoplasticismo, linhas verticais e horizontais delimitam as zonas de cor. Há uma sintonia com a funcionalidade da arquitetura, anúncios luminosos das ruas, grafismo e publicidade moderna, e com o urbanismo das cidades planejadas.

De volta a Paris, passa por dificuldades financeiras e é obrigado a pintar flores em telas figurativas.

Quadro I, 1921, Composição, 1921 e Composição, 1923: afasta cada vez mais as zonas de cor. Linhas retas e cores primárias alternadas com zonas brancas e necessidade de uma organização rigorosa.

Em 1925, na Alemanha, sua tese ganhava força com a Bauhaus, em Weimar, que divulga uma tradução de O Neoplasticismo, publicado em francês, 5 anos antes.

Em Composição em Preto e Azul, de 1926, entra a composição em losângulo, comum em muitas obras dos anos 30, e a busca pela simplificação.

Fugindo da iminência da 2ª Guerra Mundial, viaja para Londres e depois para Nova Iorque, protegidos por amigos. São dessa época Broadway Boogie-woogie e Victory Boogie-woogie, que representam a última fase de Mondrian. Aqui, ele encontra estímulos nos americanos, imprimindo vibração nas composições.

Organiza sua primeira mostra individual, na Galeria Valentin Dudensing, e morre 2 anos depois, de uma pneumonia mal curada.

Bibliografia
SCHAPIRO, Meyer. Mondrian. A Dimensão Humana da Pintura Abstrata. São Paulo: Cosac & Naify, 2001
GOODING, Mel. Arte Abstrata. São Paulo: Cosac & Naify, 2002
Coleção de Arte: Mondrian e a Pintura Abstrata. São Paulo: ed. Globo, 1997
Gênios da Pintura: Mondrian. São Paulo: Abril Cultural, 1996

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